Em uma grave crise econômica, a Venezuela fechou o ano 2017 com uma inflação acumulada de 2.616%, segundo a Assembleia Nacional (Parlamento), que calculou em 85% a inflação do mês de dezembro.
No início de 2018, o presidente da Comissão de Finanças, José Guerra, disse que a inflação aumentou pela "impressão de dinheiro do Banco Central da Venezuela (BCV) para financiar o déficit do Governo".
"70% do déficit do Governo venezuelano para o ano 2017 foi financiado com impressão de dinheiro", disse Guerra. "A inflação é distinta à hiperinflação porque a inflação dentro de tudo é normal. Uma hiperinflação é insuportável. É a ruína de um país", disse Guerra.
Dinheiro sem valor
Em março deste ano, uma reportagem da BBC mostrou que uma pilha de dinheiro que há 15 anos comprava apartamento agora só paga um café na Venezuela.
A população enfrenta escassez de dinheiro e produtos, e não há previsão para essa crise chegar ao fim. A previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) é que a Venezuela termine 2018 com uma queda de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), e uma inflação ainda maior que a do ano anterior, de 13.000%.Com a crise, o número de venezuelanos que fogem da situação para os países vizinhos disparou, e o Brasil é um desses destinos. Em Boa Vista, até fevereiro o número de imigrantes da Venezuela chegou a 40 mil, segundo a prefeitura, o equivalente a mais de 10% dos cerca de 330 mil habitantes da cidade.
Em outras cidades de Roraima, brasileiros chegaram a fazer protestos contra a presença dos estrangeiros. Na terça-feira (20), venezuelanos foram expulsos de um prédio ocupado e tiveram seus bens queimados em Mucajaí. No dia seguinte, houve outro protesto, mas desta vez pacífico, em Pacaraima. Durante o ato, a fronteira entre Brasil e Venezuela teve o tráfego interrompido por quase meia hora.
G1



