José Pimentel retoma ensaios da Paixão de Cristo do Recife: "Não joguei a toalha"

quarta-feira, março 21, 2018
Cerca de 15 dias após o anúncio do cancelamento da Paixão de Cristo do Recife, a equipe retomou os ensaios e começou a reconstruir o cenário do espetáculo. Ainda sem certeza se vão conseguir realizar as apresentações por falta de dinheiro, o ator e diretor teatral da Paixão de Cristo, José Pimentel, afirma que o grupo tenta adequar os gastos para não deixar de encenar a peça. "Ainda não joguei a toalha", garante.

De acordo com Pimentel, apesar da dificuldade financeira, a equipe pretende fazer com que as apresentações aconteçam, mas nada está confirmado. Para isso, o grupo vem tentando diminuir os gastos até caber no orçamento disponível, que é de R$ 400 mil. Segundo a produção, o valor inicialmente estimado para a construção do espetáculo era de R$ 700 mil.

"De lá para cá, não conseguimos mais patrocinadores, mas estamos em negociação com os nossos fornecedores para diminuir alguns valores. Também houve uma mudança da firma que montava a estrutuira, pois o valor cobrado era muito alto e fugia da nossa realidade", conta Pimentel.

Uma das motivações para que o diretor não desistisse de montar o peça foi a resposta popular após o cancelamento. "Quando divulgamos que não iria ter a Paixão de Cristo, houve uma revolta dos atores, atrizes, técnicos e da população. Então a gente está tentando fazer. Também fico preocupado em não fazer esse ano e também não ter no próximo", conta.

"É mais um desafio que estamos enfrentando. Queremos fazê-la, mesmo que tenha alguma falha, para nos prepararmos para 2019", reforça.

A temporada está programada para o período compreendido entre os dias 30 de março e 1º de abril, no Marco Zero, na área central da cidade.

Apesar da retomada dos ensaios, alguns membros da produção não concordam com a decisão. O produtor Paulo Castro afirma não ter participação na realização do evento.

Cancelamento

O anúncio de cancelamento da Paixão de Cristo foi feito no dia 7 de março. O motivo alegado foi falta de verba. Por meio de nota, a produção informou que contava com a garantia de repasse de R$ 250 mil pela Prefeitura do Recife e de R$ 150 mil pelo Governo de Pernambuco. Entretanto, seriam necessáros R$ 700 mil para a realização do evento.

Parte desse dinheiro seria para custear a reconstrução do cenário, que foi destruído por cupins. A verba também seria usada para pagar as gravações dos áudios dos novos atores, a confecção de figurinos e ajustes na remuneração do elenco.

A falta de tempo hábil para conseguir novos patrocinadores também foi um dos pontos ressaltados pela produção.



G1PE

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