A 23ª colocação no ranking o deixaria fora do tour 2018, mas o trabalho apresentado o garantiu um convite da organização para continuar no CT. Ou seja, teremos o pernambucano outra vez competindo entre os melhores do mundo, agora com mais experiência para somar ao seu estilo arrojado, de surfe progressivo, mas que sabe ser casca grossa quando o assunto são ondas tubulares. A seguir, você confere uma entrevista exclusiva com o atleta, que está com a família no Havaí.
No início do tour de 2017 você falava muito na expectativa de poder rodar o circuito com a família, assim como o teu pai (o paraibano Fábio Gouveia) fez na época dele. Essa estreia foi como você pensou, conseguiu colocar os planos em prática?
Foi uma experiência incrível ter convivido esse ano no dream tour, foi alucinante viajar o mundo inteiro com a minha família, peguei altas ondas, me diverti muito. Sabia que não seria fácil em termos de resultados, é muito acirrado e tinha consciência de precisar ralar bastante para conseguir a requalificação, mas acabou dando tudo certo após o terceiro lugar em Pipe.
Que balanço você faz do que produziu nas 11 etapas?
Acredito que tive um desempenho geral bom. Mesmo que os resultados não tenham sido os esperados, acredito que surfei bem, fiz boas baterias, em algumas perdi por escorregadas no final, mas foram bem acirradas. Acho que as etapas de Fiji e Pipe me salvaram e eram justamente as que eu tinha mais expectativa por serem tubulares e eu gostar muito de tubos. Fiquei feliz por poder mostrar meu potencial nessas duas etapas e obter bons resultados.
Você fala de Fiji e Pipe, foram as etapas que mais gostou?
Antes mesmo de começar o circuito, a maior expectativa era competir nessas etapas e, coincidentemente, foram os meus melhores resultados esse ano. Com certeza são minhas duas ondas favoritas, me diverti.
Teve alguma etapa que não casou com teu estilo?
Acredito que não teve nenhuma etapa que não tenha encaixado no meu estilo. Algumas etapas que não fui bem e saí no início foi algo de inexperiência mesmo ou o surfe não ter encaixado no dia.
Você teve algum auxílio técnico em 2017 ou competiu de forma independente?
Na maioria das etapas competi mais independente, levei só minha família. Mas no final foi essencial a participação do meu pai como técnico e também tive ajuda de outro técnico, Paulo Kid. Foi fundamental ter essas duas cabeças para eu conseguir a requalificação no final.
O que pôde tirar de lições do primeiro ano no CT para aperfeiçoar agora em 2018?
A lição principal é que tem de ralar muito, dar o gás, estar 100% focado em todas as etapas, fazer o melhor na água e acreditar sempre, porque tudo pode acontecer. Cheguei à última etapa, por exemplo, em situação muito difícil (com relação à permanência na elite) e mudou tudo. Se não tivesse ido bem em Pipe, teria sido um ano trágico. Mas não deixei de acreditar, fiz o meu melhor e terminou sendo maravilhoso.
Qual a sensação ao saber que rodaria o tour novamente?
Mesmo não tendo ficado entre os 22, ia ser o primeiro alternate. Só que aí sobrou um convite entre os destinados aos atletas machucados no ano e acabaram dando essa vaga para mim. Logo que acabou Pipe recebi essa notícia e saber que vou poder vivenciar tudo isso de novo é muito gratificante.
Recentemente, a mãe de Gabriel Medina comentou que sentiu os havaianos muito hostis no Pipe Masters. Na visão de quem vivencia o Havaí como você, há alguma rivalidade entre Brasil e Havaí ou foi algo pontual da final do tour?
Sempre tem uma coisa entre havaiano e brasileiro pelas histórias passadas. Mas hoje em dia acho isso muito tranquilo, vários brasileiros vêm para cá e surfam tranquilamente. Acredito que foi a final mesmo, os havaianos estavam há alguns anos sem ganhar títulos em casa e os brasileiros conquistaram títulos em Pipe nos últimos anos, com bandeiras, festa. Acho que eles estavam com muita vontade de também mostrar que têm torcida, bandeira, essas coisas. Então acho que foi mais a questão de John John (Florence) e Gabriel.
Pra você, fazer parte da geração brasileira que vai ser a nação com maior número de representantes no CT em 2018 significa o quê?
É muito significante fazer parte disso. Fico muito feliz em ver que o meu pai fez história na geração dele e agora eu estou dentro de uma outra geração que está fazendo história também. Isso é muito legal, me sinto muito feliz.
FOLHAPE



