Com o voto de 70 membros, dos 106 presentes na sessão, o Parlamento escolheu Maria Alejandra Vicuña, a primeira de uma lista de mulheres candidatas enviada ao Legislativo pelo presidente da República, Lenín Moreno.
Condenação
Jorge Glas, de 48 anos, é o funcionário em atividade com o cargo mais elevado na América Latina a ser condenado no escândalo Odebrecht, que sacudiu os círculos do poder na região e afeta 12 países da América Latina e da África. A sentença saiu no dia 13 de dezembro de 2017.
Para o tribunal, a delação de José Conceição Santos, gerente da Odebrecht no Equador, mostra que os atos executados por Glas foram "principais" para a formação de quadrilha em cinco projetos estratégicos, e que esses fatos foram provados por "outros meios de prova". Ao ler a condenação, o juiz Édgar Flores Mier afirmou que "Glas articulou com José Conceição Santos a concessão de contratos público em troca de pagamentos".
Glas foi condenado por atos relacionados a quando era ministro de Setores Estratégicos, entre 2010 e 2012. Ele assumiu a vice-presidência nas eleições de abril, quando foi companheiro de chapa do atual presidente, Lenín Moreno, de quem se distanciou pouco depois.
No pedido de prisão de Glas, a Procuradoria afirma que ele recebeu através de seu tio Ricardo Rivera um total de US$ 13,5 milhões em subornos por contratos obtidos pela Odebrecht no Equador.
Este é o primeiro processo no Equador referente ao escândalo de corrupção envolvendo a Odebrecht. Além do vice-presidente equatoriano, também foram acusados seu tio Ricardo Rivera e outras sete pessoas. A pena máxima, de seis anos, foi imposta também a Rivera e a três acusados. Os demais obtiveram penas menores, e um deles, Diego Cabrera, foi absolvido.
O advogado de Glas, Eduardo Franco Loor, classificou a sentença como "iníqua" e "bárbara" ao sair da sala de audiências.
Odebrecht expulsa do Equador
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, entre 2007 e 2016 a Odebrecht pagou no Equador pelo menos US$ 33,5 milhões em subornos. As propinas eram dadas em troca de vitórias em licitações, como no projeto da usina hidrelétrica de Toachi Pilatón, estimada em R$ 1,2 bilhão, e na emissão de relatórios favoráveis para isentar a empresa de responsabilidades criminais.
O ex-presidente Rafael Correa expulsou de seu país a empresa brasileira em 2008 por irregularidades na construção da hidroelétrica San Francisco. A medida gerou a reação de Brasília, que chamou seu embaixador para consultas entre novembro de 2008 e janeiro de 2009.
Após um acordo, a Odebrecht retornou em 2010 ao Equador, onde ficou encarregada de obras milionárias, como uma fase do metrô de Quito por US$ 1,5 bilhão.
Em junho, a Assembleia Nacional aprovou a expulsão da empresa do país e a “reparação integral dos danos e prejuízos causados ao Equador”. A medida, na prática, funciona como uma moção de repúdio, já que não existe jurisprudência para uma expulsão de uma empresa do país. O governo equatoriano proibiu a contratação da Odebrecht para qualquer obra no país temporariamente. A suspensão deve ser revogada após a empresa cumprir exigências fechadas no acordo de leniência.
G1



