Segundo os militares, Mugabe está "sob custódia" em sua casa. Ao menos um ministro, Ignatius Chombo, das Finanças, foi detido pelo grupo.
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse que falou com Mugabe nesta quarta-feira (15) por telefone. De acordo com Zuma, Mugabe está confinado em sua residência mas disse que está bem. Em um comunicado, a Presidência da África do Sul informou que irá mandar enviados especiais a Harare para se encontrar com Mugabe e o Exército do Zimbábue.
As movimentações nos quartéis começaram no final da noite de terça-feira (14). Comboios de veículos blindados começaram a se instalar nas entradas da cidade. Soldados revistavam pedestres com violência e carregavam suas armas nos postos.
Pelo menos três explosões ocorreram na cidade e tiros foram ouvidos próximo à residência do ditador. Na sequência, o grupo controlou a "ZBC", estatal de comunicação, e fez funcionários reféns antes de lerem um comunicado.
Ao vivo na TV pública, dois soldados não identificados afirmavam não se tratar de um golpe de Estado contra Mugabe, a quem chamam de "Sua Excelência", e disseram que o ditador e sua família "estão sãos e salvos".
"Nós apenas temos como alvo os criminosos de seu entorno que estão cometendo crimes que causam sofrimento social e econômico ao país para que se faça justiça. Assim que nós cumprirmos com nossa missão, a situação voltará ao normal.", disse o porta-voz, sem dizer a quem se referia.
O secretário de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, afirmou nesta quarta-feira que a situação no Zimbábue "é muito fluida". "É difícil dizer exatamente no que isso vai dar", disse, em referência às ações dos militares.
"Estamos seguindo a situação atentamente e queremos salientar que os direitos fundamentais de todos os cidadãos devem ser respeitados e a ordem constitucional e governança democrática precisam ser encorajadas", afirmou um porta-voz da Comissão Europeia, o braço Executivo da União Europeia.
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