A polêmica vem sendo ainda mais intensa, porque o dirigente da CBRu, Eduardo Mufarej, anunciara sua posição a favor de uma participação mais ampla dos atletas, antes de se retirar para um compromisso. Wanderley reconheceu que toda essa polêmica ofuscou 11 propostas efetivas de renovação do COB e antecipou que os advogados da entidade vêm estudando a questão. Mufarej antecipou o seu voto, deixou registrado em ata, mas não estava no local na hora que a votação começou e, por isso, o seu voto foi desconsiderado no final quando o placar terminou empatado em 15 a 15. Com isso, foi aprovado por 15 a 14 que os atletas teriam direito a apenas cinco votos contra 30 das confederações nas decisões do Comitê Olímpico do Brasil.
Segundo o departamento jurídico do COB, seria obrigatória a presença dele na hora da votação. Mujarej alega que consultou o COB antes de se ausentar e foi dito que não haveria problema e que o voto seria computado. Mas, no fim, não foi isso que aconteceu.
Fiz um questionamento para a assessoria jurídica. Até segunda-feira, terei uma posição definitiva do que deverá ser feito. Compete a eles (setor jurídico) dar a orientação - disse Paulo Wanderley.
Se o voto da CBRu valer, haverá um empate de 15 a 15, e caberá ao próprio Wanderley o desempate.
A questão não é só dos atletas no Colégio Eleitoral. Está prevista e assegurada a participação deles noutras atividades e segmentos do Comitê Olímpico (do Brasil). Eles terão participação no dia-a-dia do Comitê. A presença deles no Colégio Eleitoral seria um complemento à representação deles no COB.
Wanderley negou que tenha havido alguma manobra para que o voto da CBRu simplesmente tivesse deixado de valer.
Ele (o voto) foi pronunciado já com a assembleia em aberto, mas ele (Mufarej) retirou-se antes do momento apropriado de votação. A assembleia entendeu que, ele não estando presente, a exemplo do que acontece nas votações importantes da Câmara e do Senado, nesse entendimento, levantaram a questão. Como foi uma situação inédita, a própria assembleia votou que o voto dele não seria apurado - disse Wanderley.
O dirigente do COB assinou nesta sexta-feira em conjunto com o Ministério do Esporte, um documento a respeito das reformas a serem adotadas no Comitê, visando a uma maior transparência em sua gestão. Para ele, foram mudanças relevantes, mas só a que não teve unanimidade vem sendo debatida. Em seu entender, a criação do Conselho Executivo é a mudança mais importante:
Vai possibilitar a participação mais efetiva na administração, a maior participação de atletas, de pessoas eleitas, participações independentes. A criação do Conselho de Ética também é muito relativa. Antes, para se apresentar candidatura (à presidência) eram dez entidades, e agora são três. Qualquer pessoa da sociedade pode ser candidata - comentou.
Indagado se tudo o que vem sendo discutido não dá a impressão de que a decisão tomada visou a frear mudanças que só teriam sido propostas em teoria, o dirigente do COB argumentou:
O processo foi democrático, já que houve uma votação. Agora, o procedimento, se está correto ou não, é uma outra situação a ser considerada.
A respeito da questão da representatividade de atletas no COB, Paulo Wanderley explicou que a Carta Olímpica, que rege o Movimento Olímpico no mundo, estabelece alguns parâmetros.
No colégio eleitoral (dos comitês olimpicos), a representatividade maior é sempre das instituições, no caso as confederações (dos diversos esportes), e não das pessoas físicas - disse ele, reconhecendo que essa fórmula também estaria contemplada se fossem 12 atletas e 30 representantes de confederações.
Manobra na assembleia do COB revoltou atletas
Tão logo tomaram conhecimento do resultado da assembléia de quarta-feira, que decidiu restringir a cinco a quantidade de representantes da classe no colégio eleitoral do COB, atletas e ex-atletas de renome deixaram bem clara sua revolta nas redes sociais. Vários deles publicaram posts com o título "Atleta não é palhaço". E também divulgando a lista dos nomes dos 15 dirigentes das confederações contrárias ao aumento da representatividade dos atletas nas decisões.
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