COB define na segunda a polêmica sobre a participação dos atletas nas decisões

sexta-feira, novembro 24, 2017
Já tem dias contados a polêmica sobre a participação maior ou não dos atletas no colégio eleitoral do Comitê Olímpico do Brasil. O presidente do órgão, Paulo Wanderley, disse nesta sexta-feira que consultou o Jurídico da entidade, no sentido de deliberar se será correto considerar válido ou não o voto de Eduardo Mufarej, presidente da Confederação Brasileira de Rúgbi (CBRu), em assembleia que decidiria se seriam 5 ou 12 atletas com direito de votação nas futuras eleições do COB. Com a anulação desse voto, o placar no encontro de quarta-feira foi de 15 a 14 em favor de uma participação mais restrita. Até segunda-feira o COB irá anunciar uma decisão a respeito.

A polêmica vem sendo ainda mais intensa, porque o dirigente da CBRu, Eduardo Mufarej, anunciara sua posição a favor de uma participação mais ampla dos atletas, antes de se retirar para um compromisso. Wanderley reconheceu que toda essa polêmica ofuscou 11 propostas efetivas de renovação do COB e antecipou que os advogados da entidade vêm estudando a questão. Mufarej antecipou o seu voto, deixou registrado em ata, mas não estava no local na hora que a votação começou e, por isso, o seu voto foi desconsiderado no final quando o placar terminou empatado em 15 a 15. Com isso, foi aprovado por 15 a 14 que os atletas teriam direito a apenas cinco votos contra 30 das confederações nas decisões do Comitê Olímpico do Brasil.

Segundo o departamento jurídico do COB, seria obrigatória a presença dele na hora da votação. Mujarej alega que consultou o COB antes de se ausentar e foi dito que não haveria problema e que o voto seria computado. Mas, no fim, não foi isso que aconteceu.

Fiz um questionamento para a assessoria jurídica. Até segunda-feira, terei uma posição definitiva do que deverá ser feito. Compete a eles (setor jurídico) dar a orientação - disse Paulo Wanderley.

Se o voto da CBRu valer, haverá um empate de 15 a 15, e caberá ao próprio Wanderley o desempate.

A questão não é só dos atletas no Colégio Eleitoral. Está prevista e assegurada a participação deles noutras atividades e segmentos do Comitê Olímpico (do Brasil). Eles terão participação no dia-a-dia do Comitê. A presença deles no Colégio Eleitoral seria um complemento à representação deles no COB.

Wanderley negou que tenha havido alguma manobra para que o voto da CBRu simplesmente tivesse deixado de valer.

Ele (o voto) foi pronunciado já com a assembleia em aberto, mas ele (Mufarej) retirou-se antes do momento apropriado de votação. A assembleia entendeu que, ele não estando presente, a exemplo do que acontece nas votações importantes da Câmara e do Senado, nesse entendimento, levantaram a questão. Como foi uma situação inédita, a própria assembleia votou que o voto dele não seria apurado - disse Wanderley.

O dirigente do COB assinou nesta sexta-feira em conjunto com o Ministério do Esporte, um documento a respeito das reformas a serem adotadas no Comitê, visando a uma maior transparência em sua gestão. Para ele, foram mudanças relevantes, mas só a que não teve unanimidade vem sendo debatida. Em seu entender, a criação do Conselho Executivo é a mudança mais importante:

Vai possibilitar a participação mais efetiva na administração, a maior participação de atletas, de pessoas eleitas, participações independentes. A criação do Conselho de Ética também é muito relativa. Antes, para se apresentar candidatura (à presidência) eram dez entidades, e agora são três. Qualquer pessoa da sociedade pode ser candidata - comentou.

Indagado se tudo o que vem sendo discutido não dá a impressão de que a decisão tomada visou a frear mudanças que só teriam sido propostas em teoria, o dirigente do COB argumentou:

O processo foi democrático, já que houve uma votação. Agora, o procedimento, se está correto ou não, é uma outra situação a ser considerada.

A respeito da questão da representatividade de atletas no COB, Paulo Wanderley explicou que a Carta Olímpica, que rege o Movimento Olímpico no mundo, estabelece alguns parâmetros.

No colégio eleitoral (dos comitês olimpicos), a representatividade maior é sempre das instituições, no caso as confederações (dos diversos esportes), e não das pessoas físicas - disse ele, reconhecendo que essa fórmula também estaria contemplada se fossem 12 atletas e 30 representantes de confederações.

Manobra na assembleia do COB revoltou atletas

Tão logo tomaram conhecimento do resultado da assembléia de quarta-feira, que decidiu restringir a cinco a quantidade de representantes da classe no colégio eleitoral do COB, atletas e ex-atletas de renome deixaram bem clara sua revolta nas redes sociais. Vários deles publicaram posts com o título "Atleta não é palhaço". E também divulgando a lista dos nomes dos 15 dirigentes das confederações contrárias ao aumento da representatividade dos atletas nas decisões.



G1ESPORTE

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