Patrimônio sob constante ameaça na Boa Vista

terça-feira, agosto 01, 2017
A região do bairro da Boa Vista onde fica o antigo casario da rua da Glória possui uma população bastante heterogênea. Imóveis antigos, em ruínas ou reformados, dividem espaço com algumas construções modernas. Residências, pensões, escritórios e órgãos públicos e não governamentais abrigam uma população dividida entre pessoas de classe média até desabrigados que sobrevivem com auxílio-moradia. Todos reclamam do descaso das autoridades públicas com o local.

“A gente aqui mora num lugar que é um reduto histórico, onde tem casarões que são importantes para o patrimônio cultural do Estado de Pernambuco, do País, e é tudo jogado às traças”, lamentou o artista plástico Rinaldo, 56 anos, morador da rua da Glória.

“Muitas vezes esses locais não passam por nenhum tipo de vistoria, através dos órgãos da prefeitura. Isso é um fato recorrente. Aqui na rua Velha já teve um casarão que caiu, há dez anos. Morreram sete pessoas. São imóveis antigos, que precisam de cuidado, do proprietário e dos órgãos públicos.”

Também residente na região, desde que nasceu, o auxiliar de manutenção Antônio Lenilson, 45, reforçou o coro pedindo mais atenção das autoridades. “Aqui está um descaso. Já houve vários casarões que caíram, pegaram fogo. Precisa ter uma fiscalização melhor.” Ele contou ainda que há dois meses ajudou a conter um princípio de incêndio na mesma rua.

No caso específico da casa 366, o proprietário, o ex-militar e estudante de Direito Moacir Coelho, 62, afirmou que a prefeitura faz vistorias no local e nunca encontrou nenhuma irregularidade e que o imóvel estaria devidamente regularizado. “Isso que aconteceu foi uma fatalidade”, considerou. A gestão municipal negou.

Por nota, a Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural do Recife (DPPC) informou que o sobrado integra o perímetro de preservação do bairro, inserido na Zona Especial de Preservação Rigorosa (ZEPH 8). “A Prefeitura acompanha a área e o imóvel (366) já havia sido notificado pela fiscalização da Diretoria Executiva de Controle Urbano do Recife (Dircon) pela ausência do alvará que permitisse o funcionamento como pensão.

Além disso, uma multa de R$ 6.191,24 havia sido aplicada pela irregularidade. Como não houve a resolução do problema, a Dircon já havia iniciado o processo para enviar o caso à Justiça.”

Diante do incêndio ocorrido no domingo, ainda de acordo com a nota, a Defesa Civil do Recife interditou o imóvel 366 e outros três vizinhos, que funcionavam como hospedarias, retirando ao todo 33 pessoas. “Um laudo com as conclusões sobre o incêndio deverá ficar pronto em até 30 dias, indicando a necessidade de demolição ou recuperação do imóvel”, concluiu.


FOLHAPE

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