Sua produção artística, no entanto, não pode ser resumida a essa única técnica. "Carimbos", exposição que entra em cartaz no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), a partir desta quinta-feira (31), revela um lado menos conhecido - mas não menos inventivo - do artista plástico. A abertura para convidados ocorre nesta quarta-feira (30), às 19h.
Com curadoria de Clarissa Diniz, gerente de conteúdo do Museu de Arte do Rio, a mostra reúne 100 trabalhos produzidos entre 1968 e 1972. "A fase que a exposição apresenta corresponde ao uso de carimbos, que ele mesmo confeccionava, na maioria das vezes, com borrachas escolares talhadas com estilete", descreve a curadora.
"Através desse signo, ele foi brincando com diversas formas e construindo diferentes narrativas. Foram mais de 200 obras produzidas dessa forma, de quatro anos. Algumas delas estão reunidas pela primeira vez, nesta mostra. Cerca de 80% do material é inédito", afirma Clarissa. Metade das peças vem do acervo pessoal do artista e outra parte integra coleções privadas.
José Cláudio começou a se interessar pela técnica quando trabalhava como desenhista na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Para facilitar a marcação de grandes mapas rurais, o artista teve a ideia de desenvolver os tais carimbos.
"Na verdade, ele retomou uma prática da infância, desdobrando cada vez mais as possibilidades. Numa experiência que remete à xilogravura, ele passou a fabricar carimbos a partir de qualquer superfície, de casca de cajá até tocos de madeira", conta.
Os carimbos do artista pernambucano acabaram sendo incorporados pelo poema/processo, movimento de vanguarda desenvolvido entre 1967 e 1972, lançado simultaneamente em Natal e no Rio de Janeiro.
"Muito importante para a poesia visual brasileira, o movimento marcou o pensamento gráfico e conceitual do final dos anos 1960. Além de mostrar a grandeza de José Cláudio, a mostra traz visibilidade à participação dele dentro do poema/processo", diz.
Realizada com recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), "Carimbos" também abrange também atividades de formação. Além de oficinas e vivências gratuitas para mediadores, o próprio espaço expositivo funciona como um laboratório de experimentação da técnica do carimbo.
O público que visitar a mostra encontrará mesas, materiais e orientadores para ajudar na investigação. "A ideia é que mais e mais pessoas se apropriem desse modo de fazer arte", afirma.
Serviço:
Exposição "Carimbos", de José Cláudio
Abertura nesta quarta-feira (30), às 19h. Visitação até 29 de outubro, de terça a sexta-feira, das 12h às 18h, e sábados e domingos, das 13h às 17h
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães - Mamam (Rua da Aurora, 265, Boa Vista)
Entrada gratuita
Informações: (81) 3355-6871
FOLHAPE



