Internada em um leito de terapia intensiva do Hospital da Restauração, a mulher trans de 32 anos que teve 40% do corpo queimado, após um adolescente ter ateado fogo nela, respira sem ajuda de aparelhos e evolui bem, com boa recuperação, segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira (29). O estado de saúde dela permanece grave.
Ainda de acordo com o hospital, localizado na área central do Recife e onde ela está internada desde que foi vítima da tentativa de homicídio na quinta-feira (24), a paciente Roberta Silva deve passar por reavaliação médica para possível alta da Unidade de Terapia Intensiva e retorno enfermaria do Centro de Tratamento de Queimados no final desta terça.
No sábado (26), a paciente foi intubada e teve o braço esquerdo amputado devido à gravidade dos ferimentos. Na segunda-feira (28), ela foi extubada e passou por um banho especial para auxiliar na cicatrização das feridas.
O médico Marcos Barretto, chefe da Unidade de Queimados do HR, informou que Roberta relatou estar dormindo quando foi agredida.
Segundo Barretto, a paciente teve comprometimento na cabeça e queimaduras de 3º grau no tronco, braços e perna esquerda, sendo que a mão direita estava em garra, com risco de precisar ser amputada.
A codeputada Robeyoncé Lima, do mandato coletivo Juntas (PSOL), foi até o Hospital da Restauração para conversar com a vítima, na sexta-feira (25). Após a visita, a parlamentar contou que Roberta acredita que foi vítima de LGBTfobia.
Crime
A tentativa de homicídio ocorreu perto do terminal de ônibus do Cais de Santa Rita, na área central do Recife, na madrugada da quinta-feira (24). Segundo o boletim de ocorrência, ao qual o G1 teve acesso, testemunhas do crime disseram à Polícia Militar que um adolescente estava com a mulher trans, que é moradora de rua, em um barraco de lona e ateou fogo no corpo dela.
Em seguida, ele tentou fugir, mas foi apreendido por policiais militares que faziam rondas nas proximidades. O adolescente foi autuado em flagrante por "ato infracional análogo a homicídio doloso tentado", segundo a Polícia Civil, que registrou o caso na 7ª Delegacia de Plantão da Criança e do Adolescente, no Recife.
O delegado José Renato informou que o adolescente foi levado para a Unidade de Atendimento Inicial (Uniai) da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).
G1PE



