Ele é acusado de irregularidades em convênios firmados entre a entidade e o Ministério do Esporte para a realização em São Paulo do Mundial de 2011. Ricardo Souza, então vice-presidente e aliado de Oliveira, assumiu o comando. Oficialmente, o cartola já estava afastado do cargo antes da decisão judicial por conta de um problema de saúde.
Na sequência, o Banco do Brasil, apoiador do handebol desde 2013, decidiu que não renovaria o acordo que pagava cerca de R$ 16 milhões por ano para a confederação.
Em agosto, jogadores criaram o Atletas pelo Handebol, movimento que surgiu com o pedido para que Oliveira renunciasse e que passou a reivindicar mais espaço para discutir a gestão do esporte. Sem o Banco do Brasil e à procura de novos patrocinadores, a confederação convive com um buraco financeiro. Em outubro, treinamentos programados para a seleção masculina foram canceladas por falta de verba. Atualmente, a CBHb conta com recurso dos Correios destinado a acampamentos de jovens. Também estão previstos cerca de R$ 2,9 milhões em repasses do Comitê Olímpico do Brasil em 2019.
Em novembro, a entidade anunciou a empresa alemã Kempa como sua fornecedora de material esportivo."Há uma imagem arranhada, mas estamos modificando isso com um novo modelo de trabalho e aproximação com atletas e clubes. A entrada da Kempa no olho do furacão deu respaldo, mostrando que o handebol é maior do que tudo o que está acontecendo", afirma Souza.
Ele nega que tenha havido lesão aos cofres públicos na realização do Mundial. Diz também que é amigo de Oliveira, mas que a relação pessoal não interfere na entidade. Segundo Souza, o presidente afastado "nunca mais pisou na confederação". Thiagus Petrus, capitão da seleção e integrante do movimento de jogadores, enxerga uma melhora na relação da entidade com os atletas.
"Pior não poderia ficar. Não queremos só reclamar, apresentamos soluções, e pelo menos até agora a confederação está escutando. Se eles vão fazer o que estamos sugerindo é uma coisa deles, mas estamos tentando", afirma o atleta do Barcelona (ESP).
Ele cita como conquista a mudança da sede da confederação de Aracaju (SE), onde Oliveira mora, para São Bernardo do Campo (SP), local que abriga o centro de desenvolvimento da modalidade, inaugurado em 2016. A previsão é que a mudança, uma antiga promessa da CBHb, ocorra até março. O Mundial realizado na Alemanha e na Dinamarca será a primeira grande competição desde a eclosão da crise e também uma oportunidade para o esporte voltar a ser lembrado por bons resultados.
Diferentemente da seleção feminina, campeã mundial em 2013, a masculina ainda não obteve um resultado de destaque, mas nos últimos anos fez campanhas competitivas. Na Olimpíada do Rio-2016, o Brasil passou às quartas de final e foi eliminado pela vice-campeã França, vencedora de 4 dos últimos 5 Mundiais. No mais recente, em 2017, os brasileiros perderam para a tradicional Espanha nas oitavas de final por um gol de diferença. Petrus diz que nos últimos anos a presença de brasileiros em grandes times nas ligas europeias aumentou, o que contribuiu para a evolução do nível técnico da seleção.
Para dar o próximo passo será preciso encarar concorrência pesada. França e Alemanha são favoritas a avançar no grupo, que terá seus jogos em Berlim. A disputa pelo terceiro lugar deverá ser feita com Rússia, Sérvia e Coreia. Não está prevista transmissão do torneio na TV brasileira.
Folhapress



