Isso se expressou na nova escalada do dólar, que nesta terça (28) fechou a 32,05 pesos argentinos. Um artigo publicado no jornal Financial Times dizia que considerava muito difícil que a Argentina realmente atinja as metas impostas pelo FMI (redução do déficit fiscal, regularização do câmbio, diminuição da inflação), o que ajudou a causar um clima de maior desconfiança, junto ao anúncio do ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, de que a o PIB em 2018, cairá em 1% devido ao que o governo chama de "tormenta" e que relaciona a fatores externos, como as consequências da guerra comercial e seu impacto em mercados emergentes e em suas moedas.
No pronunciamento, Macri afirmou: "acordamos com o FMI adiantar todos os fundos necessários para garantir o cumprimento do programa financeiro do ano que vem."
A moeda argentina já desvalorizou mais de 50% desde o começo do ano, o que vem assustando investidores e dificultando a capacidade de financiamento do país, extremamente necessária devido ao déficit no orçamento, que o governo, ainda com a política de ajustes graduais que vem promovendo, não tem tido sucesso para diminuir.
O presidente disse que o chamado ao fundo tem como objetivo mostrar que a Argentina tem respaldo da entidade e para "eliminar qualquer incerteza que possa gerar os fatos da última semana diante da piora do contexto internacional. Garantir o financiamento para 2019 vai nos permitir fortalecer a confiança e retomar a trilha de crescimento o mais rápido possível."
O governo já tem um acordo com o FMI que estabelece uma linha de crédito "stand by" de US$ 50 bilhões, mediante o cumprimento de metas, a principal delas, a redução do déficit fiscal. A liberação desse dinheiro seria gradual e de acordo com o desempenho do país. Porém, diante a impossibilidade de atingi-las a contento, o governo pediu e obteve esse adiantamento.
Na semana passada, o FMI enviou uma equipe ao país, diante da desconfiança dos mercados com relação ao cumprimento das metas. Por ora, a entidade segue apoiando o governo argentino, uma vez que já liberou os primeiros US$ 15 bilhões (R$ 62 bilhões) previstos e garantiu o adiantamento dos US$ 3 bilhões (R$ 12,4 bilhões) pedidos nos últimos dias.
Dujovne crê que as necessidades de financiamento deste ano estão garantidas, e que para 2019 faltariam US$ 8 bilhões (R$ 33,12 bilhões), que o governo espera conseguir sem ter de recorrer novamente ao fundo, apenas com a recuperação da economia. A meta de crescimento do país, porém, foi recalculada pelo governo, caindo de 3%, projeção do começo do ano, para entre 0,5% e 1%.
Ao final de sua intervenção, Macri disse entender "a angústia e a preocupação" dos argentinos diante da escalada do dólar e da alta inflação. Mas pediu paciência porque considera que o governo "está tomando as medidas corretas e não há atalhos mágicos".
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