"Não tenho dúvidas do envolvimento dos dois", disse Carmem Lúcia, delegada responsável pelo caso. Foi ela quem apresentou o pedido de prisão temporária de mãe e filho, por homicídio, acatado pela juíza Marília Falcone, da 1ª Vara Criminal de Camaragibe. A decisão desta vez é relacionada à suspeita de assassinato. Carmem Lúcia disse que vai fazer mais perguntas a eles.
Os dois devem ficar na Delegacia de Camaragibe até as 16h. Depois disso, serão submetidos a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), no Recife. Depois Jussara será encaminhada para a Colônia Penal Feminina Bom Pastor e Danilo Paes para o Centro de Triagem de Abreu e Lima (Cotel). Eles terão que cumprir a prisão temporária de 30 dias, podendo ser renovada por mais 30 dias.
Durante audiência de custódia realizada na manhã desta quinta-feira (5), no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, mãe e filho tiveram a prisão convertida em liberdade e foram isentados do pagamento da fiança de R$ 908 mil estipulada pela delegada Carmem Lúcia no momento do flagrante.
Decisão foi tomada com base no artigo 325, §1°, incisos I e II, do CPP, que diz que se o preso deixar de pagar a fiança por não ter condições financeiras para tanto, caberá ao juiz diminuir o valor da medida cautelar liberatória ou até dispensá-la.
Funcionária pública, Jussara é analista em saúde da Secretaria de Saúde de Pernambuco e tem um salário mensal de R$ 2.374,44, além de gratificação de desempenho de R$ 293,20, de acordo com informações levantadas no Portal da Transparência. Recém formado em engenharia civil, Danilo não trabalha.
Entenda o Caso
O desaparecimento do médico cardiologista Denirson Paes da Silva vinha sendo investigado há quase um mês. Em um Boletim de Ocorrência registrado no último dia 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 54, alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado. A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.
Para a polícia, há indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver do médico, encontrado nesta quarta-feira (4) dentro de uma cacimba na casa onde morava, no condomínio Torquato Castro, na Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. As investigações continuam a fim de esclarecer a motivação e a conduta de cada um.
Vizinhos do médico afirmaram que dois funcionários dele prestaram depoimento. Um deles teria afirmado que a esposa da vítima o chamou dias atrás para fechar, com cimento, uma cacimba que já estaria fechada com uma tampa "bastante pesada para ser carregada por uma pessoa só". O homem teria notado um mau cheiro, mas a farmacêutica alegou que um gato tinha morrido dentro da cacimba.
O segundo funcionário contou à polícia que o médico, pouco antes de desaparecer, tinha explicado a ele que não precisaria mais de seus serviços porque estaria se separando e iria morar no Recife.
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