Enquanto Paulo Câmara negocia nos bastidores com a direção nacional do PT, setores da imprensa veiculam notícias dando a impressão de que o partido estaria jogando com duas alternativas: o apoio ao PSB ou o lançamento da candidatura da vereadora Marília Arraes, cartorialmente petista e geneticamente socialista.
Falso dilema porque, na verdade, o que o PT quer - e não esconde - é fazer uma aliança com o PSB de cima para baixo. Aliás, não quer, precisa desesperadamente.
No estado de isolamento do partido de Lula, o único partido de que tem uma chance, ainda que mínima, de se aliar com o PT é o PSB. Chance mínima porque o PSB é complexo e grande, muito maior do que o PT em número de governos estaduais e prefeituras de grandes cidades. Consequentemente é muito difícil juntar todos os interesses conflitantes em um único palanque.
Então, pra que não continue sendo disseminada esta informação falsa, deixemos muito claro aqui: é o PT que corre atrás do apoio do PSB, e não o contrário. Foi Lula, em agosto do ano passado, que disse explicitamente que queria a aliança. Disse e veio atrás, visitando Renata Campos e Paulo Câmara. Depois recebeu os socialistas em São Bernardo, mandou Fernando Haddad aqui, mandou Jacques Wagner, Gleisi Hoffman, enfim, quem ele conseguiu mobilizar.
E a candidatura de Marília? Uma falsa opção. Ou um pneu de suporte, por definição mais fraco do que o instalado. Se Marília preenchesse minimamente as condições para ser candidata a governadora pelo PT ele teria tido lançada há muito tempo porque não há qualquer impedimento para que isso ocorra.
Lançar Marília só depende do PT. Fazer a aliança com o PSB depende das muitas bandas do PSB que não querem proximidade por incontáveis motivos. Isso não é difícil. É quase impossível.
Marília é nada, mas nada menos do que um plano B, para ser usado se a alternativa naufragar.
José Costa
Cientista político
Cientista político



