A Unidade de Queimados do Hospital da Restauração, uma das maiores do País, possui 40 leitos médicos, 15 infantis e 25 adultos. A preocupação da equipe médica é que nesta época junina os casos tendem a crescer. “Está se espalhando de uma forma sem controle a utilização do combustível para se cozinhar e isso vai continuar trazendo vítimas de queimaduras para o hospital. As vítimas me falam que não têm mais condições financeiras de comprar o gás de cozinha pelo preço vendido. Essas pessoas são de baixa renda, com pouco esclarecimento. Elas ficarão mutiladas”, afirmou o cirurgião. Uma alternativa, de acordo com o especialista, seria a proibição da utilização do álcool para cozinhar, mas com a disponibilização de outras alternativas para a população.
O motorista Reginando Pereira, 45 anos, perdeu tudo em um incêndio em decorrência do uso de álcool de cozinha. Ele não conseguiu comprar um fogão elétrico. Em Paulista, onde reside, o botijão de gás está em falta. Quando chega, as revendedoras chegam a cobrar R$ 150. Estava há uma semana sem gás de cozinha e não viu outra alternativa que não fosse comprar álcool. “Perdi tudo. Queimou tudo. Agora, é começar tudo de novo. Força, trabalho e ver como a vida vai ser daqui para frente. Mas, o mais importante, é que estou vivo. Salvei a vida da minha mulher. A minha recomendação é que não usem álcool, procurem outras formas de se alimentar. Nós não sabemos a proporção do fogo e dos perigos.”, disse Pereira.
Já José Marconi sofreu queimaduras de 3º grau nos braços e nas pernas por uma explosão de fogão improvisado. “Com esse aumento brusco do gás, tinha gente vendendo no Cabo por R$ 220. Na comunidade onde eu moro, algumas pessoas não têm o poder aquisitivo para dar tanto assim em um botijão de gás. Eu vi na internet como fazer gás de cozinha com meio litro de gasolina. Comprei todos os equipamentos e construí. De início, funcionou, mas a mangueira de pressão explodiu", contou.
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