Em depoimento aos conselheiros tutelares, a menina disse que apanhou da madrasta na cabeça com martelo de bater carne e cabos de faca. A garota está internada no Hospital da Restauração (HR), no Derby, na área central do Recife.
De acordo com a unidade hospitalar, a criança foi medicada, passou por vários exames. Ela segue em observação na emergência pediátrica do hospital, com estado de saúde estável.
O caso foi descoberto pelo Conselho Tutelar do Ipojuca, onde a família reside. A entidade recebeu uma denúncia anônima sobre os maus-tratos, na noite da terça-feira (19).
O caso vai ficar sob responsabilidade da delegacia da cidade.
Investigação
Segundo uma conselheira tutelar que preferiu não ser identificada, o autor da denúncia não sabia o endereço da família. Informou apenas que a criança estudava em uma instituição no Centro. Segundo ela, a pessoa disse, ainda, que o pai e a madrasta estavam escondendo a menina em casa por causa dos hematomas, que já estavam muito aparentes.
"Nos disseram que ela apareceu com o olho machucado e eles diziam que era conjuntivite. Mas os hematomas estavam cada vez mais fortes e eles esconderam a criança em casa", afirmou a conselheira tutelar.
Quando os conselheiros foram até a escola, na manhã da quarta-feira (20), encontraram, por acaso, com a mãe da criança. A mulher mora no município de Sirinhaém, no Litoral Sul do estado.
"Ela nos contou que o pai da menina havia ligado para ela no dia anterior e pedido para que ela fosse buscar a criança na parada de ônibus, pois a menina voltaria a morar com ela em Sirinhaém", contou a conselheira.
A conselheira relatou também que a mãe da criança alegou ter notado os hematomas no corpo da menina e perguntado ao pai o que teria acontecido.
"Ele disse para a mãe da menina que ela havia se machucado em brincadeiras na escola. Foi quando a mãe foi até o colégio, atrás de informações sobre o suposto acidente, e nós encontramos com ela e a criança", contou a conselheira tutelar.
Espancamento
Em depoimento ao Conselho Tutelar, a criança disse que apanhava sempre que a madrasta estava com raiva de alguma coisa. Segundo a conselheira, a garota disse que o pai não batia nela, mas sabia de toda a situação.
"A madrasta também ameaçava ela, dizendo que, se contasse algo, iria matá-la. E o pai foi conivente com tudo isso", declarou a conselheira.
"É um caso muito preocupante. A lesão do olho é grave e nosso medo é de que ela possa até perder a visão. Ela também tinha muitas cicatrizes que já sararam. Isso significa que o espancamento pode acontecer há muito tempo", afirma.
O Conselho Tutelar de Ipojuca está em contato com a entidade no município de Sirinhaém, para avaliar se a criança deve voltar a morar com a mãe.
G1PE



