Na Região Metropolitana do Recife, existem 52 mil tampas de poços de visita ou de caixas de inspeção. Feitas de ferro, elas atraem os criminosos, que negociam com ferros-velhos.
“A cada mês, temos que substituir 500 tampas no Grande Recife. Só com material e mão de obra, gastamos R$ 270 mil, a cada período de 30 dias”, afirma a gerente de Manutenção e Operação de Esgotos da Compesa, Noélia Lopes da Silva.
Segundo levantamento da Compesa, no Recife, três áreas são consideradas as campeãs de roubos e vandalismo desse tipo: Brasília Teimosa, na Zona Sul, Afogados, na Zona Oeste , e Santo Amaro, na área central.
Além dos prejuízos, esses equipamentos depredados representam um risco iminente de acidentes para pedestres e veículos. ”Sem tampa, todo tipo de material entra no sistema pelos bueiros. Já encontramos móveis, madeira e peças de bicicleta”, acrescentou Noélia Lopes.
Para a gerente de manutenção de esgotos da Compesa, em vez de gastar com substituição de tampas de ferro a companhia poderia ampliar investimentos ou melhorar a rede coletora. “No Grande Recife, a empresa cobre 36% do território. Esse dinheiro ajudaria a fazer novos serviços”, afirmou.
Em alguns trechos, ainda segundo ela, é necessária a pavimentação no entorno das tampas em decorrência do vandalismo. Noélia Lopes ressalta que responsabilidade pelo uso correto das redes, seja de água ou esgoto, também é da população, cabendo às concessionárias a manutenção preventiva e corretiva dos sistemas.
Diante da dificuldade de prevenção a esses crimes, a empresa adotou algumas medidas. Uma delas é a troca de tampas convencionais um material feito em ferro fundido e com trava antifurto. “É preciso ter uma chave para abrir”, observou.
De acordo com a delegada Beatriz Leite, da Polícia Civil, as pessoas que praticam esse tipo de crime podem ser autuadas por furto e cumprir penas que variam de um a quatro anos de prisão, caso seja tipificado como "simples", e de dois a oito anos de prisão, caso o furto seja "qualificado", que é, por exemplo, quando mais de uma pessoa participam do roubo.
"O que acontece é porque, como é um crime sem violência, as pessoas acabam não denunciando. Mas nós precisamos saber e qualquer um pode denunciar na delegacia mais próxima de casa. Temos que saber os bairros onde isso mais acontece, o período e outros detalhes que ajudem na investigação", explicou a delegada.
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