Os profissionais de educação física Yuri Vainer e Fernando Fontelles são parceiros nos treinos de crossfit e dão aula juntos desde setembro de 2017. No começo da greve, a presença de Yuri nas aulas ficou ameaçada, porque ele costuma ir de moto ao trabalho, no Espinheiro, na Zona Norte do Recife.
Na hora do sufoco, eles descobriram a parceria também fora do expediente. Fernando mora a um quilômetro do trabalho e ficou fazendo o trajeto a pé para emprestar a bicicleta ao amigo, que mora a 15 quilômetros de distância.
“Moro perto e entreguei minha bike para ele conseguir ir e voltar para casa. Até a situação se normalizar, estou andando”, afirmou Fernando.
“A moto ficou em casa. Fiquei sem gasolina e não tinha condições de vir. Nossa amizade só fez crescer por causa disso. A bike ajuda muito, porque não estou dependendo de ônibus e é muito mais saudável”, disse Yuri.
Nas filas imensas em torno dos postos de combustível, as pessoas começaram a apoiar umas às outras. As dificuldades para conseguir abastecer os veículos geraram várias histórias de solidariedade.
Os professores universitários Emanuela Azevedo e Clayton Azevedo moram em Aldeia, em Camaragibe, no Grande Recife. Eles passaram seis horas em uma fila, esperando para abastecer os dois carros da família. Em casa, o jardineiro do condomínio, Moisés Ancelmo da Silva, esperava com desespero para tirar o tanque da moto da reserva.
“Ele estava muito preocupado, porque já não tinha mais gasolina. Ele perguntava muito se conseguiria abastecer e se ainda havia combustível no posto”, disse Emanuela. Ao ver Moisés sem combustível, o casal não pensou duas vezes antes de ajudá-lo.
“A minha sorte é que eu tenho esses patrões. Trabalho com eles há quase três anos. Fomos nos comunicando durante o dia e eles disseram para mim que iam conseguir abastecer e trariam duas bombonas para o gerador”, c Moisés.
G1PE



