Rivaldo aconselha Neymar a voltar para Espanha e aposta no Real Madrid

domingo, abril 22, 2018
Dono da camisa 10 do Brasil nas Copas do Mundo de 1998 e 2002, Rivaldo aconselhou o atual astro da seleção, Neymar, a deixar o PSG e retornar à Espanha. Visitando o Recife após dois anos longe da terra natal, o ex-craque usou a experiência de quem foi eleito melhor jogador do mundo em 1999 para analisar a situação do compatriota, em entrevista ao GloboEsporte.com e Esporte Espetacular. O ídolo do Barcelona acredita que, se o principal jogador brasileiro tiver a intenção de vencer o prêmioda FIFA, precisa sair do futebol francês - para ele, o Real Madrid pode ser o caminho.

- Eu até falei que ele poderia ser melhor do mundo. Mas acredito que se ele ficar no PSG, não será melhor do mundo. Ele tem que sair do PSG. O futebol para ele ser melhor do mundo tem que ser na Espanha. Se vai analisar, tem Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha... É diferente. Falo do futebol, da competição. Barcelona, pela situação dele, é difícil. Eu acredito que, pelo que escuto, por pessoas que trazem informações para mim, eu acredito que ele tem possibilidade de jogar no Real Madrid. Aí, sim, eu acredito que ele pode ser o melhor do Mundo - disse o ex-camisa 10 do Brasil, lembrando que o Monaco foi o último clube francês a disputar uma decisão da Liga dos Campeões, em 2004, quando foi derrotado pelo Porto, por 3 a 0.

Embora ressalte que Neymar precisa mudar de ares para chegar ao topo do Mundo, Rivaldo deixa clara a admiração pelo atual camisa 10 da seleção. Na avaliação do ex-jogador, Neymar tem talento suficiente para se transformar no principal atleta do mundo.

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Além de analisar a situação do atual camisa 10 da seleção brasileira, Rivaldo aproveitou a oportunidade para explicar o distanciamento que mantém da mídia, as chances do Brasil na Copa do Mundo e relembrar a trajetória que teve até se tornar ídolo do futebol mundial. Processo que, segundo ele, tem uma motivação: realizar o sonho do pai, que faleceu antes mesmo de ele se tornar atleta profissional.

- Depois dessa entrevista, meu telefone não vai parar, porque vai aparecer outras e outras pessoas querendo. Não vai parar. Então, tem o momento de dar entrevista. Mas eu não sou chegado. Vejo torcedores falando que tudo que eu conquistei foi por mim mesmo. Vejo que as pessoas necessitam da televisão, pessoas que têm que aparecer na televisão, ser amigo de repórter. Se eu for amigo, eu não quero que o cara facilite. Nunca disse: vou ficar bem porque aquele cara é forte naquela televisão ou rádio, para não me criticar. Sempre confiei no meu futebol. Posso ir mal em um jogo, mas em dois eu não vou. Sei da minha idade e vou passar por cima. Posso ser amigo, mas não preciso ser amigo.

Mesmo longe dos holofotes, você passou a usar redes sociais. É uma tentativa de se aproximar mais do público?

- Às vezes, eu coloco alguma coisa. Tenho usado mais, mas não muito. É o meu jeito. Sou caseiro, pernambucano, tímido e não sou muito dessas coisas. Só que eu tenho um que fica pegando no meu pé para eu falar: meu filho. Pelo amor de Deus, todo ano a Fifa me convida para o prêmio de melhor do mundo e eu nunca fui. Fui 99 e 2000 e nunca mais fui. Eles mandam e-mail são bem-educados, eu agradeço, mas não vou. Meu filho só falta me matar. Além disso (enfrentar jornalista) tem que prefiro ficar tranquilo. Aí tem que pegar avião. Deixa eu com minha família, descansando... Mas não quer dizer que um dia que eu não posso ir.

Você conquistou um Mundial, foi eleito melhor jogador do Mundo e tem passagem por grandes clubes. Quais os momentos da sua trajetória que mais marcaram?

- Ser melhor do mundo, que é um prêmio individual, em 1999. Ser campeão do mundo e jogar com o meu filho, no Mogi Mirim. Jogar com o meu filho foi impressionante, porque eu vi a alegria dele. Aquela noite ele não queria que passasse. Ele estava tão feliz. O fato de ele ter feito dois gols, de eu ter participado. Se eu não me engano, eu sou o único jogador que jogou com o filho. Pai e filho em um jogo oficial.

Estamos chegando perto da próxima Copa do Mundo. Você sente saudades da época em que atuava? O que lembra dos Mundiais que disputou?
- As duas eu joguei muito bem. Só que uma perdi e uma eu ganhei. As pessoas só lembram da conquista, mas até que o povo brasileiro lembra da de 98 e até hoje me elegem o melhor jogador de 98 e 2002. Eu fico feliz, porque jogar duas copas com a camisa que jogou Pelé, Rivelino, duas finais de Copa, ser pernambucano, tudo isso não é para qualquer um. O jogo que marcou foi contra a Bélgica. Para mim, foi o jogo mais difícil. Eles fizeram um gol que, se for analisar, na minha opinião, sou muito sincero e acredito que poderia ter sido gol. O árbitro, por sorte nossa, anulou o gol. Ai eu tive a felicidade de fazer o gol, tranquilizou e Ronaldo fez o segundo. Foi o jogo mais difícil contra a Bélgica, que não tem muita tradição em Copa do Mundo, e poderia ter tirado a gente da Copa do Mundo.

Acredita que a seleção de Tite tem condições de ter o sucesso da sua geração?

"O ambiente está bom. Não teve, no início de Copa do Mundo, todo mundo falando bem do Brasil. Mas a gente sabe que Copa do Mundo não é Copa América, Eliminatória... É totalmente diferente. Os três primeiros jogos, teoricamente, para quem joga, sabe que a seleção brasileira tem que passar pelos três jogos. A Copa do Mundo mesmo começa no mata-mata. Aí sim que você vai lá para o campo tenso, a mala preparada, você não sabe o que pode acontecer. Então, Copa do Mundo é difícil. Não é fácil. Todo mundo está dando o Brasil como favorito. É favorito, como outras seleções, mas Copa do Mundo a gente nunca sabe o que pode acontecer. O exemplo está na Copa dos Campeões, você viu que quase o (Real) Madrid sai e o Barcelona saiu."



G1PE

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