“Está passando direto na televisão. Um carro bateu num menino andando de skate, tua mãe não viu não?”, disse o vizinho segundo Zeneide, que tentava contato com o filho através do celular. A mãe estava preocupada com filho que sempre costumava avisar como estava e para onde iria.
Antes de sair de casa, Thiago tinha dito que iria para o Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, e de lá seguiria para a casa de um amigo em Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, para evitar ir para casa tarde da noite. Mas desde que saiu de casa, esquecendo o RG enquanto arrumava a mochila, não deu mais notícias.
Zeneide se dirigiu ao Instituto de Medicina Legal (IML) no domingo (29), onde reconheceu o filho por fotos. “Estava passando em todos os canais [de TV], mas nesse dia eu não assisti repórter nenhum. Eu estava tão ocupada que não parei para assistir”, explicou.
“Ele tirou tudo que eu tinha. Lutei muito para criar meus filhos, para um canalha desse, estudante direito... E ele vai tirar outros, que do jeito que ele fez com meu filhos, vai fazer com outros, porque o juiz deu liberdade. Vai sempre pagar fiança e vai sempre ficar impune”, diz revoltada a mãe do jovem morto.
O estudante de Direito, Gabriel Victor Lira Pimentel, foi autuado e preso por homicídio culposo no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), mas deixou a unidade após pagamento de fiança de 20 salários mínimos (19.020,00), arbitrada pelo juiz Otávio Ribeiro Pimentel, na audiência de custódia, realizada na quinta, no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, após requerimento do Ministério Público e da defesa pela liberdade provisória mediante a comprovação do pagamento.
FolhaPE



