Atletismo muda regra de testosterona para mulheres

quinta-feira, abril 26, 2018
A IAAF (Federação Internacional de Atletismo, na sigla em inglês) anunciou mudanças nas regras de controle de testosterona em mulheres para provas longas. A alteração mira atletas com DDS (Distúrbio de Desenvolvimento Sexual), como a tricampeã mundial e bicampeã olímpica (Londres-2012 e Rio-2016) dos 800 metros, Caster Semenya, que passou a ser tratada como intersexual, nome dado ao indivíduo que possui variações genéticas que não permitem identificá-lo como totalmente feminino ou masculino. O novo regulamento exige que, para entrar em competições oficiais de longa distância, qualquer atleta que tenha DDS terá de reduzir a taxa de testosterona.

"As pesquisas mais recentes que realizamos e os dados que compilamos mostram que há uma vantagem de desempenho em atletas do sexo feminino com DDS sobre as distâncias de pista cobertas por esta regra", informou o médico Stephane Bermon, do Departamento de Medicina e Ciências da IAAF. "O tratamento para reduzir os níveis de testosterona é um suplemento hormonal semelhante à pílula anticoncepcional tomada por milhões de mulheres em todo o mundo. Nenhum atleta será forçado a se submeter à cirurgia. É responsabilidade do atleta, em estreita colaboração com sua equipe médica, decidir sobre seu tratamento."

Para competir e ter marcas oficializadas, serão necessários atender os seguintes requisitos: a atleta deve ser reconhecida legalmente como feminina ou intersexual (ou equivalente); deve reduzir seu nível de testosterona no sangue para menos de cinco (5) nmol/L por um período contínuo de pelo menos seis meses (por exemplo, pelo uso de contraceptivos hormonais); depois disso, a competidora deve manter seu nível de testosterona abaixo de cinco (5) nmol/L continuamente (isto é: se ela está competindo ou fora de competição) por tanto tempo quanto desejar permanecer elegível.

"Como tantos outros esportes, escolhemos ter duas classificações para competição, eventos masculinos e eventos femininos. Nossas evidências mostram que a testosterona, produzida naturalmente ou artificialmente, confere vantagens significantes nas mulheres. As regras revistas não são sobre trapaça, nenhum atleta com diferença de desenvolvimento sexual trapaceou. São sobre nivelar e garantir uma competição justa", frisou o presidente da IAAF, Sebastian Coe, no comunicado emitido.

A entidade destacou ainda que as diferençar sobressaem principalmente nas provas mais longas, que oscilam entre velocidade e resistência física. Em outro trecho do comunicado, a IAAF fala que quem não se adequar poderá disputar provas da categoria masculina ou de intersexuais. O novo regulamento entrará em vigor no dia 1º de novembro e é válido para as modalidades a partir de 400 metros a 1 milha, incluindo os 400 metros, 800 metros, justamente a prova de Semenya, e os 1500 metros. Em 2015, a IAFF teve suspenso pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) o regulamento que obrigava atletas com hiperandrogenismo a seguir tratamentos para baixar os níveis de testosterona.



FOLHAPE

Comente

Veja Também

Anterior
« Prev Post
Próximo
Next Post »