A opinião unânime entre eles é que a padronização melhorou as condições de trabalho, já que os motoristas se sentem mais seguros em abrir os vidros e comprar a mercadoria. “Por causa de uns, pagavam todos. O pessoal achava que a gente é ladrão”, disse o vendedor Tony Alves, 41 anos, que estava fardado.
Aumentar a sensação de segurança é o principal objetivo da iniciativa, que pretendia também melhorar as condições de trabalho da categoria, ao coibir a ação de falsos vendedores, que aproveitavam os engarrafamentos para assaltar.
“A turma reconhece, pela roupa, que somos pais de família”, continuou Alves, afirmando, no entanto, que essa melhor receptividade não interferiu positivamente nas vendas. Outros ambulantes comentaram também que o uniforme é patrocinado por uma marca de pipoca que não é a mesma vendida nos semáforos. “O pessoal não aceita outra que não seja esta”, diz, referindo-se à mercadoria de uma marca tradicional, que tem mais de 60 anos de mercado.
Um grupo de vendedores contou à reportagem que novos uniformes deveriam ter sido entregues entre os dias 20 e 25 de março, referentes a um novo cadastro feito em fevereiro. “Estou esperando até hoje”, comentou um, que trabalhava sem a camisa amarela. “Ainda falta fiscalização”, disse outro trabalhador.
Outro lado
A reportagem procurou a Polícia Militar, que explicou que participou da ação inicial, no final de janeiro, apenas para evitar tumultos na distribuição dos kits. Já a Secretaria de Controle Urbano do Recife explicou que atendeu a uma solicitação para contribuir com o cadastramento. Até o fechamento da edição, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco não havia atendido às solicitações de entrevistas feitas pela reportagem.
FOLHAPE



