Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Recife, Michelle Collins chegou às 14h para ser ouvida pelo promotor de Justiça Westei Conde. No entanto, ela não passou pela entrada principal do prédio. No local, um grupo de representantes de terreiros do Recife, da Região Metropolitana e do interior de Pernambuco realizava uma manifestação, com faixas contra a vereadora e apresentações de música e dança.
Como não foi uma audiência pública, a sessão não pôde ser registrada pela imprensa. De acordo com o Ministério Público de Pernambuco, representantes de terreiros do estado serão ouvidos no MPPE no dia 21 de março.
Entenda o caso
No dia 5 de fevereiro, a vereadora Michelle Collins publicou, em sua página oficial no Facebook, uma mensagem em que diz que “estaria clamando e quebrando toda maldição de Iemanjá lançada contra nossa terra em nome de Jesus”. Acompanhado de uma foto que mostra várias pessoas em uma praia, a postagem da parlamentar, já deletada de suas redes sociais, se referia ao evento "Noite de Intercessão no Recife, orando por Pernambuco e pelo Brasil’" realizado na orla de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Um dia depois da postagem, a vereadora divulgou uma nota de desculpas. "Diante do exposto sobre uma postagem realizada em suas redes sociais, a vereadora missionária Michele Collins esclarece que em nenhum momento teve a intenção de ofender ou propagar qualquer mensagem de ódio religioso. Todos sabem que a missionária é veementemente contra qualquer intolerância religiosa, inclusive já deletou a postagem de suas redes sociais, diante dessa falha na elaboração do texto. A vereadora missionária Michele Collins pede desculpas aos que se ofenderam", traz o texto.
Manifestações
Para pedir respeito, reparação e retratação por parte da parlamentar, sacerdotes e sacerdotizas de terreiros de Pernambuco fizeram uma manifestação na Câmara dos Vereadores do Recife no dia 21 de fevereiro. Ao todo, segundo os organizadores, o encontro reuniu representantes de cerca de 30 terreiros do estado.
Durante o ato, cópias da carta aberta de repúdio contra a publicação da vereadora, alegando crime de racismo e sentimento religioso, foram entregues nos gabinetes dos vereadores. Segundo a chefe do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, Mãe Elza de Iemanjá, a publicação de Collins explicita uma questão de raça, intrínseca à religiosa, ocasionando a necessidade de se debater a intolerância religiosa em todos os municípios do Grande Recife.
G1PE



