Produtor cria programa sobre games apresentado por mulheres 'para confrontar o preconceito' em PE

quarta-feira, março 07, 2018
Uma recente pesquisa, realizada em 2017, mostrou que as mulheres são maioria entre pessoas que jogam videogame no Brasil. Em meio a predominância do sexo feminino com os games, o produtor Renand Zovka, de 27 anos, pensou em desenvolver conteúdos que evidenciem as mulheres no mundo dos jogos eletrônicos em Caruaru, no Agreste de Pernambuco.

Não há muito tempo as mulheres ganharam notoriedade no universo geek. De acordo com estudos realizados pela agência de tecnologia interativa Sioux, empresa especializada em consumo Blend New Research e a Game Lab, divisão da ESPM dedicada à experimentação e pesquisa de jogos, no ano passado o público feminino obteve maior representação, com 53,6% se comparado ao masculino.

Sobre o que levou o produtor a criar o projeto, ele explicou: "Foram dois motivos principais. O primeiro, porque as meninas superaram os meninos em quantidade de pessoas que jogam algum tipo de jogo eletrônico no ano passado. O outro, para confrontar o preconceito que as meninas/mulheres têm no mundo dos games".

Renand e mais três amigos são donos de uma produtora de vídeos. Desse projeto, surgiu a ideia de criar um canal na internet, o E-Sports Space, que semanalmente publica programas com duração entre 10 e 30 minutos em que são debatidos temas ligados aos games. O programa é apresentados por duas jovens: Janaína Monteiro e Flaviane Gonçalves, ambas de 24 anos.

"Eu fui criada nesse meio. Meu irmão quem gostava desse tipo de entretenimento. Eu, muito novinha, via sempre ele jogar com os amigos. Me apaixonei vendo ele jogar. Mas sempre foi um mundo muito masculino", explicou Flaviane como surgiu a paixão por games.

Apesar de cultivar a admiração pelo mundo dos jogos eletrônicos, para Flaviane não foi tão simples avançar do estágio de admiradora para jogadora e entendedora do mundo dos games. Ela conta que a sensação era de receio, por não se sentir representada e por ter sido discriminada por querer estar inserida num ambiente até então masculinizado pela sociedade.

"Uma determinada faixa etária que joga jogos on-line é um pouco hostil com a presença de mulheres no time. Já li coisas como: 'Cale a boca. Mulher não tem direito de falar nesse jogo'", Flaviane Gonçalves.

Seguindo a ideia de que para toda regra há uma exceção, Flaviane conta que boa parte das vezes em que precisa desafiar um competidor, nos games, é tratada com igualdade. "Somos todos jogadores, um time, buscando vencer uma partida", ressalto.

Para Janaína, o trajeto percorrido se tornou mais fácil. Na maioria das vezes as pessoas esboçam estranherismo quando ela fala sobre jogos eletrônicos. "Nunca sofri nenhum constrangimento. Uma única situação que aconteceu foi quando falei que gostava de games e desse universogeek. Ao falar disso [de games] há uma certa surpresa, mas nunca sofri nada mais do que isso", destacou.

Mesmo sendo maioria no consumo de games, as mulheres ainda não se veem respeitadas. Segundo Flaviane, muitas meninas usam nicknames(nomes de perfis) masculinos, para poder desafiar o adversário de igual para igual. "Acontece das meninas ficarem receosas de se mostrarem como mulheres por medo de acontecer algum assédio ou hostilidade de alguma forma", explicou.

Com o surgimento da proposta de apresentar um programa na internet, no qual os assuntos tratados são estritamente sobre jogos eletrônicos, a dupla de apresentadoras não pensou duas vezes e abraçou, sem titubear, a ideia de representar o lado feminino no mundo dos games. O convite para Flaviane e Janaína veio do produtor Renand.

Além de saber como jogar, as jovens comentam as partidas dos campeonatos, que são divididos em diversas modalidades, como esportes e lutas, por exemplo, com periodicidade de postagens todas as quintas-feiras. Lançamentos de jogos, notícias e promoções também estão em pauta, desta vez aos sábados. Todos os vídeos ficam disponíveis para os internautas a partir das 18h.

"Eu me sinto como se tivesse representando muitas mulheres que gostam de games e que muitas vezes são mal vistas em alguns grupos de pessoas", Janaína Monteiro.



G1PE

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