Para quem fica a postos para atender quem precisa, a folia é praticamente secundária. “Tem que estar muito atento, focado. A quantidade de pessoas é muito grande. Não dá para relaxar. É cansativo, mas é necessário”, afirma o socorrista Ivo Costa.
Além de festa, o carnaval também representa consumo e oportunidade de lucro, mas o cansaço é algo em comum para os que brincam e trabalham. “É cansativo? Demais. Eu moro no Ibura. Dois ônibus para ir, para vir, fora o cansaço do corpo. Quando um está dormindo, o outro está acordado”, diz a vendedora Alessandra Kelly.
Imprescindíveis durante a folia, os músicos também precisam driblar a exaustão para fazer a alegria de quem curte o carnaval. “Bate um cansaço, mas ele não se deixa abater no corpo. E na hora que o frevo começa, só Deus sabe quando termina”, afirma o músico Ciro Brasil.
Já os que atuam na área de limpeza fazem parte de um bloco silencioso, mas fundamental. “Enquanto as pessoas vão sujando, a gente vai limpando, mas é bom. Você está trabalhando, mas pelo menos está escutando um frevo. Trabalha e se diverte ao mesmo tempo”, conta o gari Nivaldo Gomes.
Os catadores também estão por toda parte, ajudando a diminuir a sujeita e também conseguindo faturar dinheiro. “Não é muito bom [trabalhar no carnaval], mas a necessidade obriga”, diz Josenilda Viana. Ainda assim, há quem ache que dá para ser feliz durante o expediente. “Cadê o cansaço? Isso aqui é disposição. Menino novo faz isso não”, brinca, improvisando passos de frevo.
G1PE



