De acordo com a coordenação da agremiação, o motivo da redução do desfile é a escassez de recursos para colocar os bonecos na rua. "É preciso recurso para fazer o desfile acontecer. Mas nos organizamos para que ele não perdesse a beleza", explica o coordenador da troça, Bruno Gomes.
Fundador dessa tradição de 31 anos, o artista plástico Sílvio Botelho, responsavel pelas obras que desfilam pelas ladeiras de Olinda no carnaval, explica que o momento é de reflexão sobre o futuro dos blocos tradicionais da cidade.
"Eles não estão conseguindo ser gestores das agremiações, e por isso elas estão entrando em decadência. Tem que haver uma associação das agremiações de Olinda, para saber capitalizar e não depender da prefeitura", pondera o artista plástico, que já assina mais de 1.300 bonecos gigantes.
Apesar das dificuldades, Botelho se diz satisfeito com o resultado. "Felicíssimo. Pelo acontecimento, pela alegria. Se tem uma coisa boa no carnaval de Olinda é o nosso desfile de bonecos gigantes, o verdadeiro", afirma, orgulhoso.
De fato, o número menor de bonecos no cortejo não diminuiu a admiração dos foliões olindenses. Na concentração, o que mais se viam eram as famílias aglomeradas para acompanhar a saída do desfile.
O casal Luciano e Marcelly Santos já estão acostumando o pequeno Thomas a participar do momento. "Ele está com três anos agora, mas a gente traz para ver os bonecos desde muito novinho. É a nossa cultura, é importante que ele conheça", defende Luciano.
Quem aprendeu a amar os bonecos gigantes na infância foi Eitoni Silva de Andrade, de 23 anos. Hoje bonequeiro, o jovem literalmente carrega a tradição nos ombros. "Participo desde os bonecos mirins. É um orgulho, sempre quis carregar boneco e vou continuar até onde der", afirma Eitoni.
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