Baixinho Boiadeiro está foragido da Justiça de Alagoas desde que trocou tiros com José Emílio Dantas, que é filho de um ex-prefeito assassinado em 1999, e sobrinho do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Luiz Dantas (MDB-AL). E, enquanto é caçado pela polícia de Alagoas, o fazendeiro pediu a revogação de sua prisão, ao confirmar que trocou tiros com Zé Emílio Dantas, porque este estaria armado, feito “ar de riso”, e disparado três tiros, quando Baixinho parou o carro diante da casa do desafeto, durante seu trajeto para o hospital para onde seu pai tinha sido levado.
Baixinho Boiadeiro diz que o vereador Neguinho Boaideiro e o outro vereador Tony Carlos Silva de Medeiros, o “Tony Pretinho” (PR), mortos em 36 dias, teriam sido vítimas de adversários políticos da família Dantas, porque investigavam um esquema fraudulento milionário envolvendo 17 funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), que não sabiam que eram utilizados como “laranjas”, na folha do Legislativo Estadual, onde recebiam entre R$ 12 mil e R$ 17 mil por mês, oficialmente, mas ficavam com apenas R$ 300.
“R$ 200 mil era a cabeça do meu pai. Deram R$ 100 mil de entrada, um revolver 357, uma metralhadora Uzi e um fuzil e um Astra”, diz Baixinho, ao afirmar que os pistoleiros teriam chegado a desistir do crime, “em novembro de 2016”, após acompanhar a rotina de trabalho de Neguinho Boiadeiro.
O foragido diz ainda que a morte do pai também teria relação com o fato de o vereador ter solicitado um extrato da conta da Prefeitura de Batalha. “O extrato que ele recebeu foi uma carga de tiro na porta da Câmara Municipal”, declarou Baixinho Boiadeiro.
Ele cita como supostos mandantes do crime, o pré-candidato a deputado estadual aliado do governador Renan Filho (MDB), Paulo Dantas – filho do presidente da Assembleia – a prefeita de Batalha Marina Dantas, e dois homens que identifica como Theobaldo – irmão da prefeita - e Hermes Vieira, secretário de Transportes de Batalha.
No vídeo, o filho do vereador faz referência à operação que destruiu o portão da casa de sua vó, em 4 de janeiro, e demonstra ter gravado o vídeo naquele mesmo dia.
Baixinho reforça as acusações de que sua família estaria sofrendo injustiças e disse que teme pela sua vida, da sua mãe, irmãs, irmãos e sobrinhos. E, ao expor supostas cópias de declarações de imposto de renda dos supostos laranjas da Assembleia, afirmou que levará ao procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, fotos, detalhes e nomes dos envolvidos no esquema.
“Nem bandido merece um tratamento desse que a família Boiadeiro, que tanto contribuiu para o emprego e renda em Batalha e Craíbas... Estamos sendo massacrados, porque Luiz Dantas e Paulo Dantas e Marina Dantas e esse Hermes estão fazendo as cabeças das autoridades, dizendo que somos bandidos. Bandido não tira 2.000 litros de leite por dia, bandido não tem residência fixa, bandido não entra numa eleição de vereador e atinge quase 1.000 votos, bandido não apoia um governador, um deputado estadual, um federal e um senador e dá de 1.000 a 1.300 votos sozinhos, sem aborrecer ninguém”, disse Baixinho Boiadeiro.
A Secretaria de Segurança Pública disse que não comenta as acusações de Baixinho Boiadeiro, assim como o delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, que leu e não respondeu se alguém foi preso em decorrência das investigações sobre a morte dos vereadores de Batalha.
DANTAS X BOIADEIRO
Zé Emílio Dantas, que trocou tiros com Baixinho Boiadeiro, é órfão do ex-prefeito Zé Miguel, assassinado em 1999, por “Laércio Boiadeiro”, que foi condenado a 35 anos de prisão.
Contando com o duplo homicídio do prefeito Zé Miguel e de sua esposa Matilde Toscano, em 1999, e com o assassinato do vereador Neguinho Boiadeiro, na quinta, as duas famílias de Batalha já perderam um total de seis pessoas, em menos de 20 anos.
Em 2006 foram assassinados Samuel Theomar Bezerra Cavalcante, irmão da prefeita Marina Dantas; e Edvaldo Joaquim de Matos, segurança de Paulo Dantas.
Em 2016, Emanoel Boiadeiro, que é sobrinho do vereador Neguinho Boiadeiro, foi morto em operação policial comandada pela Delegacia Especial de Investigações e Capturas (Deic). Emanoel era acusado de matar Samuel e Edvaldo.
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