Estações de BRT são alvo de depredação no Recife e passageiros cobram conforto

terça-feira, fevereiro 20, 2018
Os passageiros que pegam os ônibus do tipo BRT (Bus Rapid Transit) sofrem com a depredação de estações no Recife. Outros problemas denunciados por quem usa o serviço são a insegurança e a falta de conforto. O sistema transporta 150 mil pessoas por dia, segundo o Grande Recife Consórcio.

Equipamentos de ar-condicionado e vidros estão quebrados e há portas automáticas e televisões sem funcionar. Faltam cestos de lixo e existe acúmulo de sujeira e até goteira em estações. Passageiros entram sem pagar a passagem, o que aumenta a sensação de abandono.

Na Estação IEP, na Avenida Cruz Cabugá, no bairro de Santo Amaro, na área central da capital, os letreiros que deveriam transmitir informações ao passageiro estão apagados.

Quando os BRTs foram inaugurados para a Copa do Mundo de 2014, os monitores mostravam o tempo que faltava para a chegada do próximo coletivo. Assim, o passageiro sabia o quanto precisaria esperar.

Na Estação Riachuelo, na rua de mesmo nome, no Centro do Recife, os vidros quebrados são a marca do vandalismo. Na Estação Araripina, na Avenida Cruz Cabugá, mais um monitor está apagado.

Os passageiros relatam que grande parte dos problemas é culpa da população. “O pessoal quebra as coisas. Não tem segurança de nada. Se você for do Recife para Paulista [Região Metropolitana], quase toda estação tem vidro quebrado. E o pessoal está invadindo por fora. Que invadir sem pagar”, afirmou o fotógrafo Carlos Pereira.

O relato do passageiro se confirmou enquanto a equipe da TV Globo estava no local. Um homem tentou embarcar na estação pelo lado de fora, entrando pelas portas de acesso ao coletivo, mas foi impedido por um segurança no local.

A estação Nossa Senhora do Carmo, no bairro de Santo Antônio, está cercada por tapumes no lugar dos vidros, por causa da depredação. E as portas quebradas ficam abertas o tempo inteiro, mesmo sem nenhum BRT parado para embarque e desembarque.

Na Estação Maurício de Nassau, no Centro da capital, é possível encontrar mais televisores sem funcionar. Além disso, duas lixeiras estão quebradas e foram arrancadas do suporte.

A situação é ainda pior na Estação Istmo do Recife, no Cais do Apolo, onde as lixeiras não existem mais. Pos isso, o lixo fica jogado no chão.

Na Estação Tacaruna, em frente ao Shopping de mesmo nome, é possível encontrar muito lixo espalhado por todo o chão. O cheiro é desagradável.

Na Estação Santa Casa de Misericórdia, há mais lixo. Lá, há ainda problemas com o ar-condicionado, que não funciona. “O calor está grande. Os equipamentos estão todos quebrados. Podemos fazer o quê?”, questiona o aposentado Moisés Gomes.

Nas estações de BRT do Derby, na área central, além da depredação, outros problemas complicam o dia do passageiro. Quando chega, o coletivo precisa passar mais tempo parado, esperando a saída dos carros que invadem o corredor exclusivo.

A quantidade excessiva de ambulantes que circulam pelo local também faz parte da rotina dos passageiros.

Resposta

O diretor de Operações do Grande Recife Consórcio, André Melibeu, informou que, em 2017, a empresa fez um contrato para trocar 600 vidros em 15 meses. Só que em 10 meses, segundo ele, o material acabou.

Foram substituídos 600 vidros fixos e 80 de porta. "Pedimos que os passageiros preservem as estações. São equipamentos que beneficiam as pessoas e precisam ser cuidados", declarou.

Sobre os equipamentos de ar-condicionado, Melibeu disse que são 42 estações e cada uma tem cinco módulos. "Estamos fazendo diagnóstico de cada uma das estações", observou.

O Grande Recife informou que o problema dos monitores de informações é provocado por falta de fibra ótica em algumas estações.

Sobre a sujeira, ele disse que todas as estações são alvo de limpeza profunda duas vezes por mês. "No dia a dia, há um trabalho nas 42 estações", comentou o diretor de operações.



G1PE

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