Secretaria de Saúde investiga três casos de botulismo na mesma família em Pernambuco

terça-feira, janeiro 30, 2018
A Secretaria de Saúde de Pernambuco investiga três casos de botulismo em integrantes de uma mesma família, moradora de Olinda, no Grande Recife. Ronaldo Alves, de 48 anos, está internado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), na área central da capital.

Ele deu entrada na quinta-feira (25) com paralisia facial e dificuldade para engolir. Os pais de Ronaldo, um homem, de 69 anos, e uma mulher, de 65 anos, encontram-se em uma unidade da rede privada.

Nesta terça-feira (30), a equipe médica do Oswaldo Cruz detalhou o caso de Ronaldo, durante entrevista coletiva. Segundo o chefe do setor de infectologia da unidade, Demétrius Montenegro, ele começou a apresentar sintomas clássicos da ação da toxina.

A paralisia acomete alguns grupos musculares. "No caso de Ronaldo, o problema é no músculo da face e na área do pescoço. Isso dificulta a deglutição”, explicou.

Ainda segundo o médico, o quadro de saúde é considerado estável. Por causa da dificuldade de engolir, ele é alimentado por meio de sonda. Entretanto, o paciente está com previsão de alta da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Ele deve ser encaminhado para a enfermaria da unidade até quinta-feira (1º).

A confirmação epidemiológica de Ronaldo ocorrerá por meio exame de sangue, ainda sem previsão de divulgação do resultado. O material foi coletado e enviado Laboratório Central de Pernambuco (Lacen) no mesmo dia da internação do paciente.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, os pais de Ronaldo estão internados em um hospital particular do Recife. A mulher foi atendida no dia 7 de janeiro. Já o homem, no dia 20 deste mês. Ambos apresentavam paralisia facial e de membros inferiores. O G1 entrou em contato com a SES e aguarda retorno sobre o estado de saúde dos dois.

Botulismo

O botulismo é causado por uma toxina, liberada pela bactéria clostridium botulinum. A produção dela depende de uma série de fatores, como a má conservação do alimento.

A toxina é encontrada, com maior frequência, em enlatados. No corpo humano, afeta os grupos musculares.

Ainda não se sabe o que teria causado a doença em Ronaldo e nos pais dele. Segundo o infectologista Demétrius Montenegro, o período médio de encubação é de 7 a 10 dias.

“A principal forma de transmissão dessa doença é por alimentos mal conservados ou fora do prazo de validade. Principalmente, em alimentos industrializados, enlatados, embutidos”, completou.

De acordo com a SES, os dois homens receberam o soro anti-botulínico, que precisa ser aplicado em até sete dias após o início dos sintomas. Por ter passado desse período, a mulher não recebeu o soro, que serve para bloquear a doença.

Segundo o chefe do setor de infectologia do Huoc, o corpo libera a toxina mesmo sem ajuda do soro. “Na maioria dos casos, não há sequela”, concluiu o médico.



G1PE

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