Ele deu entrada na quinta-feira (25) com paralisia facial e dificuldade para engolir. Os pais de Ronaldo, um homem, de 69 anos, e uma mulher, de 65 anos, encontram-se em uma unidade da rede privada.
Nesta terça-feira (30), a equipe médica do Oswaldo Cruz detalhou o caso de Ronaldo, durante entrevista coletiva. Segundo o chefe do setor de infectologia da unidade, Demétrius Montenegro, ele começou a apresentar sintomas clássicos da ação da toxina.
A paralisia acomete alguns grupos musculares. "No caso de Ronaldo, o problema é no músculo da face e na área do pescoço. Isso dificulta a deglutição”, explicou.
Ainda segundo o médico, o quadro de saúde é considerado estável. Por causa da dificuldade de engolir, ele é alimentado por meio de sonda. Entretanto, o paciente está com previsão de alta da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Ele deve ser encaminhado para a enfermaria da unidade até quinta-feira (1º).
A confirmação epidemiológica de Ronaldo ocorrerá por meio exame de sangue, ainda sem previsão de divulgação do resultado. O material foi coletado e enviado Laboratório Central de Pernambuco (Lacen) no mesmo dia da internação do paciente.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, os pais de Ronaldo estão internados em um hospital particular do Recife. A mulher foi atendida no dia 7 de janeiro. Já o homem, no dia 20 deste mês. Ambos apresentavam paralisia facial e de membros inferiores. O G1 entrou em contato com a SES e aguarda retorno sobre o estado de saúde dos dois.
Botulismo
O botulismo é causado por uma toxina, liberada pela bactéria clostridium botulinum. A produção dela depende de uma série de fatores, como a má conservação do alimento.
A toxina é encontrada, com maior frequência, em enlatados. No corpo humano, afeta os grupos musculares.
Ainda não se sabe o que teria causado a doença em Ronaldo e nos pais dele. Segundo o infectologista Demétrius Montenegro, o período médio de encubação é de 7 a 10 dias.
“A principal forma de transmissão dessa doença é por alimentos mal conservados ou fora do prazo de validade. Principalmente, em alimentos industrializados, enlatados, embutidos”, completou.
De acordo com a SES, os dois homens receberam o soro anti-botulínico, que precisa ser aplicado em até sete dias após o início dos sintomas. Por ter passado desse período, a mulher não recebeu o soro, que serve para bloquear a doença.
Segundo o chefe do setor de infectologia do Huoc, o corpo libera a toxina mesmo sem ajuda do soro. “Na maioria dos casos, não há sequela”, concluiu o médico.
G1PE



