Protesto pela morte de piloto rebelde tem distúrbios em Caracas

segunda-feira, janeiro 22, 2018
Agentes da polícia venezuelana dissolveram nesta segunda-feira (22) com gases lacrimogêneos e balas de borracha um protesto realizado em Caracas pela morte, há uma semana, do piloto rebelde Óscar Pérez em um operação para capturá-lo.

O corpo de Pérez foi enterrado nesta segunda em Caracas, sem o aval de sua família -- sua viúva e sua mãe queriam que corpo fosse levado ao México, onde moram.

Jovens encapuzados responderam com pedras e coquetéis molotov. Os distúbios na manifestação, iniciada pela manhã em frente à Universidade Central da Venezuela (UCV) -principal do país- deixaram 30 pessoas feridos, segundo dirigentes estudantis.

Ruas foram bloqueadas por manifestantes com escombros e sacos de lixo foram queimados, enquanto as vias de acesso à área eram vigiadas por militares.

"Não somos de direita nem de esquerda, somos os de baixo, somos resistência, e vamos pelos de cima!", disse à AFP, em meio dos distúrbios, um manifestante com o rosto coberto com uma máscara antigases.

A concentração foi convocada pela ex-deputada opositora María Corina Machado como "homenagem" a Pérez, um ex-agente da polícia científica, e seus homens.

"Há uma Venezuela que se rebela", declarou na manifestação a dirigente, que rompeu com a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) por considerar que a "saída eleitoral" para a crise venezolana está cercada por "fraude".

Machado também rejeita as negociações empreendidas pelo governo de Nicolás Maduro e pela oposição na República Dominicana, que chama de "farsa".

Operação contra Pérez

Na segunda-feira passada, Pérez e seis de seus companheiros foram abatidos em uma operação militar e policial nos arredores de Caracas.

Organizações de direitos humanos denunciaram possíveis "execuções extrajudiciais", mas o governo argumenta que as autoridades responderam a ataques armados do piloto e de seu grupo.

Pérez, acusado de "terrorismo" e declarado "o criminoso mais buscado" no país petroleiro, se rebelou contra Maduro em meio a protestos opositores que deixaram 125 mortos entre abril e julho de 2017.

Em 27 de junho ele atacou de um helicóptero a corte suprema e o ministério do Interior com granadas e armas de fogo, sem deixar vítimas. Em 18 de dezembro seu grupo amordaçou militares em um quartel e roubou fuzis e munições.



G1

Comente

Veja Também

Anterior
« Prev Post
Próximo
Next Post »