Com 30 anos de carreira e sucessos entoados com paixão pelos foliões dos carnavais do Recife e de Olinda, o cantor Almir Rouche reconhece a dificuldade de inserir novas canções no carnaval pernambucano, mas sabe que não é impossível.
“Compomos músicas eternas, que fazem sucesso quando tocam, por isso não precisamos lançar uma música nova a cada mês. 'Arrea a Lenha', que hoje faz muito sucesso, demorou oito anos para maturar, então, se gravarmos alguma hoje, ela vai se tornar eterna daqui a uns 20 anos”, afirma o cantor.
Para 2018, ele aposta em novidades no repertório como "A Máscara Caiu", composta por Jota Michiles, homenageado do carnaval recifense neste ano, e em parcerias que resultaram em canções que enveredam pelo maracatu e pelo cavalo-marinho, ritmos pernambucanos apreciados sobretudo no carnaval.
“Também estou apostando em uma música que se chama ‘Carnavalizar’, para homenagear mais uma vez o Galo da Madrugada. Estou sentindo o retorno do público”, revela Rouche, que já consolidou músicas como “Galo, Eu te Amo”, em homenagem ao bloco mais famoso do estado.
Ainda em dezembro de 2017, o cantor e compositor Geraldinho Lins investiu na releitura de canções conhecidas do pop e do rock nacional, adaptadas para ritmos pernambucanos, como frevo, ciranda e caboclinho. “Sempre transitei pelo universo da música pop brasileira, então, para mim, foi uma forma de unir duas coisas que gosto de tocar”, conta.
No álbum lançado na semana entre o Natal e o Réveillon do ano passado, estão músicas como "Pescador de Ilusões", d’O Rappa, e "Sonífera Ilha", dos Titãs, com arranjos comuns aos ouvidos dos pernambucanos. “Fiz um passeio pelo Brasil com músicas bastante conhecidas, mas valorizando os ritmos pernambucanos, que são enaltecidos principalmente no carnaval. Essa mistura é bem bacana e é geralmente muito bem aceita”, comemora o artista.
Termômetro de sucesso online
Plataformas virtuais, como Spotify, Deezer e YouTube, são praticamente obrigatórias para quem integra o mercado fonográfico e deseja conferir a repercussão de novos trabalhos. No carnaval pernambucano, não poderia ser diferente. Depois de lançar o clipe da música “Lá Vem o Homem da Meia-Noite”, André Rio celebra as mais de 12 mil visualizações em menos de 48 horas.
“É um caminho sem volta, essas plataformas digitais vieram para ficar. Quase 70% dos discos que a gente vende atualmente são por meio de plataformas virtuais, então tivemos que nos adaptar a essa nova forma de interagir”, comenta, ressaltando, ainda a importância dos redutos espalhados pelo Recife que ainda conservam e fomentam a venda de discos físicos. “Ainda há um público bem interessado nisso, então temos que agradar a todos”, diz o cantor.
Para o artista Luciano Magno, que lançou em 2018 o clipe da música “Esquentadinho”, feita em parceria com Moraes Moreira, esse é um método que facilita a chegada de novos artistas ao conhecimento do público. “Quem não tinha acesso aos grandes estúdios, às grandes gravadoras, tem a internet. Com poucos dias, você tem seu disco ali, publicado e disponível para o público”, afirma.
Apostando em um novo frevo, ele julga importante a composição de novas músicas para o carnaval de Pernambuco. “Essa é uma oxigenação muito importante para o frevo, que é um ritmo centenário. Para renovar, não é necessário apagar o que já foi feito, porque mesmo os frevos mais antigos têm se renovado com o tempo. O que a gente não pode perder é esse jeito de fazer música daqui, tão nosso”, ressalta Magno.
G1



