“Por questões morais, acabei me tornando por consequência do meus posicionamentos, referência de ética enquanto atleta e, é o que faz sentido pra mim e me traz sensação de dever cumprido ao final de uma prova. Apesar de não me caber fazer qualquer tipo de julgamento, considero impossível e inviável minha permanência na equipe”, escreveu Joanna, que deixa a equipe após a mesma ter contratado Ricardo de Moura, ex-dirigente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) que ficou dois meses e meio preso no primeiro semestre do ano passado.
“Não estou fazendo nenhum tipo de julgamento, a Unisanta tem total direito de contratar quem quiser, para o cargo que quiser. É simplesmente que eu, Joanna, não tenho mais condição de trabalhar no mesmo lugar que Ricardo de Moura. Era difícil, mas tinha que aguentar quando ele era dirigente da CBDA, eu não tinha escolha. Mas dentro do clube eu tenho escolha. Tenho total respeito pela Unisanta, não teve discussão, nem nada. Mas não consigo vislumbrar a possibilidade de me manter”, explicou a atleta, conhecida pelos posicionamentos firmes e pela busca por mais transparência e gestão profissional na natação brasileira.
Moura é ex-superintendente da CBDA e foi detido junto com outras três pessoas, entre elas o então presidente da entidade, Coaracy Nunes, durante a Operação Águas Claras, da Polícia Federal. Todos são acusados de formar um esquema de desvios de recursos públicos repassados à CBDA, da ordem de R$ 40 milhões.
Ele ficava à frente de tomadas de decisões importantes, como convocações para seleção, captação e distribuição de patrocínios e indicações de atletas para programas como o Bolsa Pódio, do Ministério do Esporte. Joanna, crítica velada do trabalho dele, por exemplo, só conseguiu indicação para o benefício, o mais gordo destinado aos atletas, quando Moura foi afastado.
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