As duas e o filho de Ida, de 6 anos, foram interceptados pela Polícia Federal no dia 30 de dezembro de 2017, no Aeroporto Internacional do Recife, ao tentarem embarcar para a Espanha com passaportes falsos, obtidos na Turquia. O caso passou a ser tratado como uma questão humanitária. No dia 3 de janeiro, elas pediram refúgio ao governo federal e aguardam a tramitação do processo em Brasília.
Acompanhadas pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, as iraquianas estiveram, na manhã desta segunda (29), na Superintendência Regional de Trabalho e Emprego, na área central da capital pernambucana. Elas informaram que pretendem aprender português para conseguir trabalhar na cidade.
As mulheres também contaram com a ajuda do governo pernambucano para conseguir os passaportes verdadeiros. Eles foram enviados pela embaixada do Iraque, em Brasília. Magida e Ida também já tiraram CPF e conseguiram um documento que garante a permanência provisória, de forma legal, no Brasil, que foi expedido pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare).
As mulheres e a criança estão vivendo na Comunidade Obra de Maria, ligada à Igreja Católica, no Recife. Com ajuda de um tradutor, Magida disse que está muito feliz em Pernambuco. "Quero estudar e trabalhar", declarou.
No dia em que o governo acolheu as iraquianas, Pedro Eurico informou que entrou em contato com a Igreja Católica, por meio da Cáritas e da Arquidiocese de Olinda e Recife. O gestor justificou que as mulheres a criança não poderiam ficar no xadrez da Polícia Federal.
Segundo Pedro Eurico, na residência da Comunidade Obra de Maria, há outras pessoas em situação semelhante. O titular da pasta de Direitos Humanos acrescentou que a preocupação, agora, é tentar intermediar a ligação das iraquaianas com a comunidade islâmica local.
Nesta segunda (29), o secretário afirmou que as iraquianas já estão em situação legal no Brasil. Elas têm um documento provisório que tem validade de dois anos. "Vamos trabalhar para resolver essa questão de forma definitiva. O Brasil é um país acolhedor e Pernambuco não pode ser diferente", declarou.
Entenda o caso
O caso das duas mulheres da criança ido Iraque foi divulgado pela PF na segunda-feira (1º). Autuadas, a desempregada e a estudante de engenharia, que é mãe da criança, passaram por audiência de custódia e foram liberadas pela Justiça. Elas responderão em liberdade por uso de documentos públicos falsos.
Logo após a interceptação, a PF em Pernambuco salientou que as iraquianas demonstraram interesse em pedir refúgio no Brasil e não retornar para o Iraque. Para isso, alegaram que lá não existe trabalho nem liberdade e que seu país está destruído por guerras. Elas informaram também que alguns parentes foram mortos no conflito.
O caso foi tratado, desde o início, como sendo de cunho humanitário. A PF afirmou que todas as providências foram tomadas em parceria com a Justiça Federal, Defensoria Pública, Prefeitura do Recife e Secretaria de Defesa Social.
G1PE



