Depois de uma sessão de mais de 13 horas nesta quinta (21), o pedido de cassação teve 79 votos a favor. A lei estabelece que o presidente precisava do apoio de no mínimo 87 dos 130 legisladores.
Na decisão final, os congressistas do bloco de esquerda se retiraram antes da votação e exibiram cartazes que diziam "nem golpismo, nem lobismo." Dez legisladores do partido Força Popular, que tinham anunciado apoio à cassação, se absteram.
Em seu discurso de defesa, Kuczynski pediu que os legisladores salvasse a democracia ao rejeitar o pedido de impeachment. O presidente negou que tenha favorecido a Odebrecht ou mentido sobre sua relação com a construtora.
"Não está em jogo a minha permanência no cargo, está em jogo a estabilidade democrática. Não apoiem uma vacância sem sustentação, porque o povo não esquece, nem perdoa", afirmou o presidente.
O pedido de cassação do mandato do atual presidente peruano foi baseado na consultoria financeira dada pela empresa de Kuczynski à Odebrecht entre 2004 e 2007 para um projeto de irrigação no Peru. O presidente afirma que, à época, a companhia Westfield Capital era administrada por seu ex-sócio Gerardo Sepúlveda.
Kuczynski ressaltou ainda que a lei proíbe apenas que um funcionário público administre interesses próprios ou de companhias privadas, mas não proíbe os dividendos que um empresário recebe por uma empresa.
"Sou um homem honesto, jamais recebi uma propina, um suborno, que tenha distorcido a minha vontade. Nem minha empresa, nem eu fomos contratados pelo governo, jamais incorri em conflito de interesses", declarou.
DIÁRIO DO PODER



