Cortar custos é a ordem na Ilha

sexta-feira, dezembro 22, 2017
Exemplo nos últimos anos de marca nordestina em cenário nacional, o Sport se encaminha para o seu quinto ano consecutivo na Série A, sendo 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018, um recorde para um clube da região desde a implantação do sistema de pontos corridos, a partir de 2003. Anteriormente, o Bahia havia passado quatro temporadas seguidas na elite nacional, até ser rebaixado em 2014 e retornar apenas em 2017. Além disso, as boas campanhas em 2014 e 2015 deram a impressão que o Leão havia tomado o rumo certo em definitivo. Em campo, as coisas começaram a cair nos anos seguintes, porém a saúde financeira do clube parecia estabilizada. Eis que neste final de ano, uma informação de salários atrasados, desmentida de forma veemente pela diretoria do clube, quase abalou as estruturas da Praça da Bandeira.

De forma quase simultânea, o presidente executivo Arnaldo Barros sofreu um revés ao ter a sua proposta orçamentária para 2018 negada pelo Conselho Deliberativo. A justificativa: um déficit inicial previsto de R$ 15 milhões.

Nos bastidores da Ilha do Retiro a atual gestão tenta mostrar que o ano que vem será de austeridade, até mesmo pela quantidade de competições que o Sport irá participar. Se nesta temporada foram cinco torneios, o calendário leonino para 2018 prevê até agora apenas três, sendo Campeonato Pernambucano, Copa do Brasil e Brasileirão. De um total de 81 jogos disputados neste ano, o Leão pode despencar para apenas 49 compromissos. Menos jogos, menor investimento. Ao menos é essa a linha de raciocínio. Nos corredores, a informação é que a folha salarial do elenco profissional será diminuída em até 20%.

Segundo o último balanço publicado pelo clube na edição do dia 28 de abril deste ano, nesta Folha de Pernambuco, referente ao ano de 2016 e ainda sob a gestão de João Humberto Martorelli, o clube gastou cerca de R$ 58 milhões com o Departamento de Futebol inteiro, técnico, auxiliares e demais profissionais, além dos atletas. Caso a previsão de enxugamento seja cumprida, o valor dessa despesa deve cair para R$ 46 milhões, o que daria 3,8 milhões por mês. No administrativo, por exemplo, foram gastos R$ 10 milhões/ano, porém não há previsão de cortes para 2018.

Neste ano, a compra de direitos econômicos de Rogério e André, além das renovações de Rithely e Everton Felipe, os quatro com altos salários, e até mesmo a extensão com jogadores da base, como Thallyson e Fabrício, são apontados como alguns dos investimentos responsáveis pelo arrocho financeiro neste final de ano. Outro fator foi o corte nas rendas na reta final do Brasileirão por conta das promoções de ingressos para sócios.

Em coletiva no começo deste mês, o presidente Arnaldo Barros afirmou que o aperto no final do ano é natural e que o Sport só deve se tornar um clube superavitário a partir de 2020, pois ainda tem contas a pagar. Assim como Barros, os membros do próprio Deliberativo afirmaram que a situação não é ruim como alguns pintam, mas é melhor se prevenir do que precisar remediar.



FOLHAPE

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