Copa São Paulo marcou o surgimento de lendas do futebol

domingo, dezembro 31, 2017
Nem todo craque do futebol desponta precocemente. Exemplos não faltam de jogadores que surgiram de forma tímida, quase despercebida em seus clubes, para depois ganharem o mundo. O pernambucano Rivaldo é o melhor exemplo disso. Profissionalizado sem muito alarde no cenário local, estourou em São Paulo e foi eleito o melhor do planeta, em 1999. Ao mesmo tempo, há também uma parcela gigante de gênios que mostram desde cedo um talento raro com a bola nos pés. E boa parte deles aparece nacionalmente na tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior. O torneio, que chega à 49ª edição em 2018, é o principal certame de futebol brasileiro no início do ano e já revelou muitos nomes que fizeram história na modalidade. A bola começa a rolar nesta terça-feira, 2 de janeiro.

A maior competição de juniores - reservada para atletas com menos de 21 anos - do País começou a ser disputada em 1969. Três anos depois, em 1972, dois futuros gigantes do futebol nacional, mostravam um pouco da habilidade que encantaria o Brasil e o mundo. O ex-volante e hoje técnico Paulo Roberto Falcão foi vice-campeão da 'Copinha' em 1972, uma temporada antes de subir para os profissionais do Internacional. Acabou sendo tricampeão brasileiro pelo Colorado, titular e um dos craques da Copa do Mundo de 1982 e nomeado 'Rei de Roma', quando atuou pelo clube-símbolo da capital italiana. Outro destaque do Mundial de 82, Toninho Cerezzo defendeu o Atlético/MG na Copa SP dez anos antes.

Em 1973, o zagueiro Edinho Nazareth levantaria a taça de campeão, mostrando a mesma segurança que exibiria posteriormente no próprio Flu, na Udinese-ITA e com a camisa do Brasil. Mais estrelas surgiram na década posterior. O Corinthians, semifinalista de 1980, contou com Walter Casagrande Júnior, que viria a ser goleador tanto no Timão, quanto na Itália. No ano seguinte, 'Casão' defendeu o alvinegro da capital paulista novamente. Já em 1983, o vice-campeão Botafogo/SP tinha em suas fileiras Raí. Na época lembrado apenas como o irmão mais novo de Sócrates, o meia tornou-se, na década de 1990, um dos grandes ídolos de São Paulo, Paris Saint-Germain e ainda foi tetracampeão mundial pelo Brasil.

A edição de 1990 ficou marcada por um dos maiores esquadrões da história do certame. O super Flamengo de 1990 tinha um elenco, de fato, repleto de futuros craques. Para se ter uma ideia, dois dos nomes mais badalados da década, como o meia Marcelinho Carioca e o atacante Paulo Nunes, eram meros coadjuvantes. O xerife da defesa era o zagueiro Júnior Baiano, autor do gol do título da Copinha e que defendeu o Brasil no Mundial de 1998. Entretanto, a estrela maior da companhia era o refinado meia Djalminha, craque do torneio e que depois caiu nas graças das torcidas de Guarani, Palmeiras e Deportivo La Coruña-ESP, sempre mostrando muita classe com sua genial canhota.

Os anos seguintes também tiveram prodígios de ouro. Em 1991, o craque da Copinha atendia pelo nome de Dener. O habilidoso meia-atacante levou a Portuguesa ao título da competição e virou ídolo nacional, poucos anos antes de morrer em um trágico acidente de carro, em 1994. Na Copa SP de 1993, dois futuros goleiros da Seleção Brasileira começavam a se firmar. Dida levou o Vitória a um celebrado terceiro lugar. Já Rogério Ceni era o titular do São Paulo campeão daquele ano e depois virou o maior ídolo da história do Tricolor Paulista. Já em 1994, o Guarani levantaria a taça, com um ataque comandado pelo centroavante Luizão, um dos maiores artilheiros do País nos anos posteriores.

Em 2003, o Palmeiras vice-campeão tinha o atacante Vágner. Flagrado na concentração com uma mulher, ganhou o apelido 'Love', que nunca mais o deixou. Em 2004, o vice São Paulo tinha Hernanes e Diego Tardelli. Mas a equipe do Morumbi perdeu para o Corinthians de Jô e Bobô. Em 2005, o Timão foi campeão novamente, desta vez com o meia Willian, hoje astro do Chelsea-ING e da Seleção Brasileira. Já em 2010, o Tricolor Paulista levantou a taça, graças à presença dos então jovens Lucas (PSG) e Casemiro (Real Madrid-ESP). Na edição de 2015, o Palmeiras parou nas semifinais, mas viu o consagrado Gabriel Jesus dar amostras do faro de goleador que apresenta hoje.

Embora tenha registrado o desabrochar de atletas de ponta, nem todos os grandes craques arrebentaram no torneio. O exemplo mais flagrante talvez seja o de Neymar. O atacante defendeu o Santos nas edições de 2008 e 2009, sem brilho. Em 2001, Kaká - ainda assinando como 'Cacá' - era um reserva pouco badalado no São Paulo. Um ano depois, Robinho ocupava o banco de reservas do Santos, pouco antes de se tornar campeão brasileiro. Há também alguns gigantes que não disputaram a Copinha. Romário era 'escondido' pelo Vasco, que buscava evitar o assédio de outros clubes por suas joias. Já Ronaldo se profissionalizou cedo no Cruzeiro e não pôde dar uma prévia do fenômeno que se tornaria.

FolhaPE

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