A honraria foi entregue a Carrero na data em que ele comemorou 70 anos de idade. A comenda instituída pelo Decreto número 4.891, de 20 de janeiro de 1978, foi assinada pelo governador do estado, Paulo Câmara (PSB). O escritor ocupa a cadeira de número três da Academia Pernambucana de Letras e a cadeira de número seis da Academia de Artes e Letras de Pernambuco.
“Esse é um momento extremamente significativo porque é o reconhecimento de uma luta, de uma literatura, que se desenvolveu há 40 anos. Quando eu nasci, eu pedi leite e me deram um livro. Eu sou filho de uma família que lê muito. Eu devo muito a minha família. Então, tudo na minha casa era literatura. Tinha livro no banheiro, na cozinha, na sala, no corredor, de forma que eu tinha que ser escritor”, comentou.
Nascido em Salgueiro, município do Sertão pernambucano, Raimundo Carrero de Barros Filho começou a escrever usando papéis da loja do pai. Entre 1968 e 1969, escreveu sua primeira novela, Grande Mundo em 4 paredes. Para o autor, ela era “obra de menino”. Aos 28 anos, veio seu primeiro livro, "A história de Bernarda Soledade: a tigre do Sertão". A obra foi publicada em 1975 e reeditada em 2007.
Conhecido internacionalmente, Carrero possui vários prêmios literários como: Revelação do Ano no Prêmio Oswald de Andrade, com "Viagem no ventre da baleia"; Prêmio José Condé pelo livro "Sombra severa"; Prêmio Lucilo Varejão, com "O senhor dos sonhos"; Melhor Romancista do Ano, da Associação Paulista de Críticos de Arte e Prêmio Machado de Assis (melhor romance), ambos pelo livro "Somos pedras que se consomem", e Prêmio Jabuti com "As sombrias ruínas da alma".
A Medalha da Ordem do Mérito dos Guararapes é formada por cinco graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro, em dois quadros: Efetivos e Especiais. O primeiro quadro conta com duas categorias: Ordinária e Suplementar.
A comenda remete à insurreição dos habitantes de Pernambuco contra o domínio holandês. Ao todo, foram duas batalhas, em 1648 e 1649. Elas colocaram holandeses e as forças luso-brasileiras em lados opostos no campo do Monte dos Guararapes. A Batalha dos Guararapes uniu negros, índios e brancos, sendo considerada pelos historiadores como um marco da construção da identidade brasileira.
"Ele recebeu, na verdade, uma homenagem justa e tardia. Pernambuco tem muito a agradecer a Raimundo Carrero e aproveitamos seus 70 anos para dar essa comenda e, ao mesmo tempo, iniciar o ano dedicado a comemoração dos seus 70 anos, a divulgação das suas obras. Raimundo Carrero é uma referência da nossa literatura e a gente tem que estar sempre homenageando e reverenciando esse grande pernambucano que sempre esteve em favor da nossa cultura, do nosso estado e do nosso Brasil", finalizou o governador Paulo Câmara (PSB).
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