A caminhada para a consagração se iniciou com um esforço da torcida, uma escolta controversa, Kannemann "homem-aranha" e dois golaços na vitória sobre o Lanús em La Fortaleza. O "feriado" proclamado por Renato Gaúcho ganhou o azul do Grêmio nas ruas de Porto Alegre desde o início da manhã até a metade da tarde desta quinta, em uma festa que só acabou na Arena.
Clima complicado
O deslocamento da torcida rumo ao estádio La Fortaleza rendeu opiniões divergentes. Alguns apontam uma escolta bem feita no quesito de segurança. Mas problemática no sentido do horário: vários torcedores entraram poucos segundos antes de a bola rolar. A segunda parte dos torcedores saiu apenas às 18h de Puerto Madero, na região central de Buenos Aires. São pelo menos 40 minutos até o estádio. Houve relatos de pedradas em veículos de gremistas no entorno de La Fortaleza.
O clima bélico foi todo montado pela disputa nos bastidores. As reclamações do Grêmio sobre arbitragem no primeiro jogo combinadas com o tratamento recebido por parte dos granates em Porto Alegre resultou em um caldo de difícil digestão. Os dirigentes do Lanús, por exemplo, não ofereceram o jantar tradicional entre diretorias. Em Porto Alegre, enviaram dirigentes sem maior representatividade ao encontro com os gremistas.
Diretoria é alvo
O deslocamento da torcida rumo ao estádio La Fortaleza rendeu opiniões divergentes. Alguns apontam uma escolta bem feita no quesito de segurança. Mas problemática no sentido do horário: vários torcedores entraram poucos segundos antes de a bola rolar. A segunda parte dos torcedores saiu apenas às 18h de Puerto Madero, na região central de Buenos Aires. São pelo menos 40 minutos até o estádio. Houve relatos de pedradas em veículos de gremistas no entorno de La Fortaleza.
O clima bélico foi todo montado pela disputa nos bastidores. As reclamações do Grêmio sobre arbitragem no primeiro jogo combinadas com o tratamento recebido por parte dos granates em Porto Alegre resultou em um caldo de difícil digestão. Os dirigentes do Lanús, por exemplo, não ofereceram o jantar tradicional entre diretorias. Em Porto Alegre, enviaram dirigentes sem maior representatividade ao encontro com os gremistas.
Diretoria é alvo
Em campo, pouco se viu de ânimos acirrados. As disputas foram ríspidas, mas leais. Mesmo quando um ou outro se excedia, quase não se via jogadores no tradicional bolo com discussões, empurrões e afins. Um dos únicos momentos assim foi na expulsão de Ramiro, quando o meio-campista encarou Marcone. Alejandro Silva e Bruno Cortez franziram o cenho num bate-boca renhido, porém nada fora do comum.
Nas arquibancadas, a história foi outra. O camarote dos dirigentes gremistas recebeu xingamentos constantemente e até objetos voaram das mãos dos torcedores do Lanús em direção ao local. Para acessar o espaço, alguns gremistas também reclamaram de cusparadas dos argentinos.
Fernandinho arranca para a história
Um dos maiores personagens da final é Fernandinho. Era contestado até ontem. A torcida não o engolia como titular pelo seu rendimento ofensivo. Reconhecia o ano bom, mas citava que pela esquerda não rendia tanto. Tal qual Pedro Rocha, também aposta pessoal de Renato, entrou para a história com gol em uma final. A arrancada de 35 metros culminou em um chutaço. Foi possível ouvir o barulho da rede com o silêncio feito na tal Fortaleza. Fernandinho foi retribuir a confiança de Renato com um abraço depois do jogo, no vestiário.
Luan encarna Renato
O camisa 7 esteve em seus melhores dias defendendo o Grêmio. Luan incorporou o clube como poucos, mesmo paulista de nascimento. Mostrou a qualidade de sempre. A bola parecia o procurar, sempre livre para fazer das suas. No lance do segundo gol, apareceu totalmente sem marcação pela esquerda, passou por dois zagueiros sem fazer nenhum esforço e deu uma cavadinha daquelas para desmoralizar o adversário. O extravaso na hora do gol tem um quê de lembrança sobre o que passou em 2017, com recusa à proposta do Spartak Moscou.
Falam muita coisa. Se fosse por dinheiro, iria ganhar cinco vezes mais lá. Mas era uma escolha, eu queria assim. Eu tinha muita vontade de conquistar esse título pelo Grêmio - disse.
Êxtase de Marcelo Grohe
A reação dos argentinos foi um pouco contida demais para o tamanho da vantagem gremista. Sand marcou de pênalti, mas o Lanús não fez uma pressão forte no Tricolor a ponto de exigir muito de Marcelo Grohe. O goleiro, por sinal, irritou o estádio inteiro ao fazer cera, uma característica marcante. Sabe utilizar o relógio a seu favor.
O apito final deu início a uma corrida tresloucada dos jogadores. Mas Marcelo Grohe foi quem mais chamou atenção. O goleiro correu para frente da torcida do Grêmio, atônito, e se ajoelhou. Levou a testa ao chão do gramado, depois se levantou com os braços abertos. Foi quando chegou o preparador de goleiros Rogério Godoy, que saiu em disparada do meio-campo, com o dedo fixo apontado para o arqueiro. No clube desde 2000, o goleiro demorou até se firmar e pouco tempo atrás recebia críticas, inclusive da torcida. Deu a volta por cima com o destaque na campanha do título.
Depois, felicidade a transbordar, Grohe não conseguia sair de perto da torcida. Com a taça quase sempre em mãos, tirava foto próximo dos torcedores, olhava e fechava o punho, sorria sem parar. Gremista desde pequeno, o camisa 1 teve paciência para ganhar sua chance no profissional e foi premiado com a conquista do tri. Além disso, foi protagonista na campanha, com grandes defesas contra Godoy Cruz, nas oitavas; Barcelona, na semi; e Lanús, na final.
Kannemann alpinista
O elenco do Grêmio se reuniu para a comemoração em frente de sua gente, em um dos cantos do campo do La Fortaleza. O título deixou Kannemann ainda mais louco. O zagueiro argentino, suspenso na final, subiu o alambrado, como é comum em estádios da Argentina, e comemorou junto ao torcedor. Outros, como Léo Moura e Cícero, também seguiram o caminho do gringo e passaram alguns minutos nas alturas. Kannemann viu o jogo com Maicon, Marcelo Oliveira e Douglas.
É muito mais difícil ficar fora. Quando saiu o gol do Luan, eu estava com Maicon, Douglas e Marcelo. A gente quase caiu no chão de tanto comemorar - sorriu o zagueiro.
Nas arquibancadas, a história foi outra. O camarote dos dirigentes gremistas recebeu xingamentos constantemente e até objetos voaram das mãos dos torcedores do Lanús em direção ao local. Para acessar o espaço, alguns gremistas também reclamaram de cusparadas dos argentinos.
Fernandinho arranca para a história
Um dos maiores personagens da final é Fernandinho. Era contestado até ontem. A torcida não o engolia como titular pelo seu rendimento ofensivo. Reconhecia o ano bom, mas citava que pela esquerda não rendia tanto. Tal qual Pedro Rocha, também aposta pessoal de Renato, entrou para a história com gol em uma final. A arrancada de 35 metros culminou em um chutaço. Foi possível ouvir o barulho da rede com o silêncio feito na tal Fortaleza. Fernandinho foi retribuir a confiança de Renato com um abraço depois do jogo, no vestiário.
Luan encarna Renato
O camisa 7 esteve em seus melhores dias defendendo o Grêmio. Luan incorporou o clube como poucos, mesmo paulista de nascimento. Mostrou a qualidade de sempre. A bola parecia o procurar, sempre livre para fazer das suas. No lance do segundo gol, apareceu totalmente sem marcação pela esquerda, passou por dois zagueiros sem fazer nenhum esforço e deu uma cavadinha daquelas para desmoralizar o adversário. O extravaso na hora do gol tem um quê de lembrança sobre o que passou em 2017, com recusa à proposta do Spartak Moscou.
Falam muita coisa. Se fosse por dinheiro, iria ganhar cinco vezes mais lá. Mas era uma escolha, eu queria assim. Eu tinha muita vontade de conquistar esse título pelo Grêmio - disse.
Êxtase de Marcelo Grohe
A reação dos argentinos foi um pouco contida demais para o tamanho da vantagem gremista. Sand marcou de pênalti, mas o Lanús não fez uma pressão forte no Tricolor a ponto de exigir muito de Marcelo Grohe. O goleiro, por sinal, irritou o estádio inteiro ao fazer cera, uma característica marcante. Sabe utilizar o relógio a seu favor.
O apito final deu início a uma corrida tresloucada dos jogadores. Mas Marcelo Grohe foi quem mais chamou atenção. O goleiro correu para frente da torcida do Grêmio, atônito, e se ajoelhou. Levou a testa ao chão do gramado, depois se levantou com os braços abertos. Foi quando chegou o preparador de goleiros Rogério Godoy, que saiu em disparada do meio-campo, com o dedo fixo apontado para o arqueiro. No clube desde 2000, o goleiro demorou até se firmar e pouco tempo atrás recebia críticas, inclusive da torcida. Deu a volta por cima com o destaque na campanha do título.
Depois, felicidade a transbordar, Grohe não conseguia sair de perto da torcida. Com a taça quase sempre em mãos, tirava foto próximo dos torcedores, olhava e fechava o punho, sorria sem parar. Gremista desde pequeno, o camisa 1 teve paciência para ganhar sua chance no profissional e foi premiado com a conquista do tri. Além disso, foi protagonista na campanha, com grandes defesas contra Godoy Cruz, nas oitavas; Barcelona, na semi; e Lanús, na final.
Kannemann alpinista
O elenco do Grêmio se reuniu para a comemoração em frente de sua gente, em um dos cantos do campo do La Fortaleza. O título deixou Kannemann ainda mais louco. O zagueiro argentino, suspenso na final, subiu o alambrado, como é comum em estádios da Argentina, e comemorou junto ao torcedor. Outros, como Léo Moura e Cícero, também seguiram o caminho do gringo e passaram alguns minutos nas alturas. Kannemann viu o jogo com Maicon, Marcelo Oliveira e Douglas.
É muito mais difícil ficar fora. Quando saiu o gol do Luan, eu estava com Maicon, Douglas e Marcelo. A gente quase caiu no chão de tanto comemorar - sorriu o zagueiro.
Luan pinta cabelo de Renato
No caminho tortuoso para o gramado do La Fortaleza, a reportagem do GloboEsporte.com acabou no vestiário do Grêmio. Foram poucos minutos no local. Quando saía, Renato passava. O técnico tinha uma parte do cabelo pintado de azul. Justo seu camisa 7, Luan, pregara a peça para o comandante, com um spray - o atacante também, claro, pintou o seu. Por isso, Renato concedeu a entrevista coletiva de boné. Mas não escapou do banho de água gelada, com direito a invasão dos jogadores à sala de entrevistas para comemorar o título da Libertadores.
Fui eu que pintei. Ele (Renato) olhou para mim pintando e já saiu correndo. Eu já trouxe de lá (Porto Alegre). É uma forma de comemorar - disse o Luan.
Aqueles que levantam a taça de campeão representam o grupo em um momento tão marcante por algumas razões. Especialmente no que diz respeito à liderança. No campo, dois momentos ficam bem claros quanto a isso. O GloboEsporte.com flagrou um abraço apertado de Geromel em Bressan, seu companheiro de zaga na noite de quarta e antes contestado, hoje tri da América. O mesmo fez o volante Maicon com Jailson, que ganhou a posição de Michel e foi peça-chave na estratégia montada por Renato para o duelo com o Lanús. O jovem estava emocionado no campo, com lágrimas nos olhos, chorando.
Registro histórico
No gramado, a taça era a mais cobiçada. Mas havia um outro elemento que talvez fosse mais requisitado: o fotógrafo do clube, Lucas Uebel. O profissional precisou tirar muitas fotos de cada jogador posando com o troféu. A cada segundo: "Lucas, tira uma foto minha com a taça. Ali na frente da torcida". Cortez, Léo Moura, Jael, Marcelo Grohe... Vários queriam o registro com a mais importante conquista do continente.
Vem aqui, Lucas! Tira uma só minha, pô! - pediu Cortez, sorrisão no rosto após o título e renovação de contrato por mais dois anos com o Grêmio.
Jael seleção
O centroavante foi um dos mais saudados na festa do título. A torcida gritou o nome dos jogadores presentes como homenagem. No momento que chegou em Jael, adicionou o "seleção!" junto. No jogo de ida da final, o camisa 9 participou do lance do gol de Cícero ao escorar de cabeça lançamento de Edílson. Contestado pela torcida até então, passou a ser amado pelos tricolores e reconhecido como figura importante. Os nomes de Geromel, Romildo Bolzan e Bressan também foram cantados a plenos pulmões.
Festa em Buenos Aires
Em Porto Alegre, a avenida Goethe esteve tomada de torcedores após a conquista do título. Em menor escala, ocorreu o mesmo em Buenos Aires. Os gremistas foram até o Obelisco, tradicional ponto de comemoração dos argentinos, e se concentraram na esquina na avenida 9 de Julio com Corrientes, em um bar. Ali viram o segundo gol do Grêmio, de Luan, em uma televisão e vibraram como se não soubessem do resultado. Centenas de gremistas se reuniram para beber e "copar" Buenos Aires.
No caminho tortuoso para o gramado do La Fortaleza, a reportagem do GloboEsporte.com acabou no vestiário do Grêmio. Foram poucos minutos no local. Quando saía, Renato passava. O técnico tinha uma parte do cabelo pintado de azul. Justo seu camisa 7, Luan, pregara a peça para o comandante, com um spray - o atacante também, claro, pintou o seu. Por isso, Renato concedeu a entrevista coletiva de boné. Mas não escapou do banho de água gelada, com direito a invasão dos jogadores à sala de entrevistas para comemorar o título da Libertadores.
Fui eu que pintei. Ele (Renato) olhou para mim pintando e já saiu correndo. Eu já trouxe de lá (Porto Alegre). É uma forma de comemorar - disse o Luan.
Aqueles que levantam a taça de campeão representam o grupo em um momento tão marcante por algumas razões. Especialmente no que diz respeito à liderança. No campo, dois momentos ficam bem claros quanto a isso. O GloboEsporte.com flagrou um abraço apertado de Geromel em Bressan, seu companheiro de zaga na noite de quarta e antes contestado, hoje tri da América. O mesmo fez o volante Maicon com Jailson, que ganhou a posição de Michel e foi peça-chave na estratégia montada por Renato para o duelo com o Lanús. O jovem estava emocionado no campo, com lágrimas nos olhos, chorando.
Registro histórico
No gramado, a taça era a mais cobiçada. Mas havia um outro elemento que talvez fosse mais requisitado: o fotógrafo do clube, Lucas Uebel. O profissional precisou tirar muitas fotos de cada jogador posando com o troféu. A cada segundo: "Lucas, tira uma foto minha com a taça. Ali na frente da torcida". Cortez, Léo Moura, Jael, Marcelo Grohe... Vários queriam o registro com a mais importante conquista do continente.
Vem aqui, Lucas! Tira uma só minha, pô! - pediu Cortez, sorrisão no rosto após o título e renovação de contrato por mais dois anos com o Grêmio.
Jael seleção
O centroavante foi um dos mais saudados na festa do título. A torcida gritou o nome dos jogadores presentes como homenagem. No momento que chegou em Jael, adicionou o "seleção!" junto. No jogo de ida da final, o camisa 9 participou do lance do gol de Cícero ao escorar de cabeça lançamento de Edílson. Contestado pela torcida até então, passou a ser amado pelos tricolores e reconhecido como figura importante. Os nomes de Geromel, Romildo Bolzan e Bressan também foram cantados a plenos pulmões.
Festa em Buenos Aires
Em Porto Alegre, a avenida Goethe esteve tomada de torcedores após a conquista do título. Em menor escala, ocorreu o mesmo em Buenos Aires. Os gremistas foram até o Obelisco, tradicional ponto de comemoração dos argentinos, e se concentraram na esquina na avenida 9 de Julio com Corrientes, em um bar. Ali viram o segundo gol do Grêmio, de Luan, em uma televisão e vibraram como se não soubessem do resultado. Centenas de gremistas se reuniram para beber e "copar" Buenos Aires.
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