A mãe da criança, a dona de casa Lucielma da Silva, critica a falta de acompanhamento pediátrico do Hospital Infantil do Cabo e acredita que as injeções de adrenalina aplicadas na filha podem ter ocasionado o óbito. “Cheguei a perguntar o porquê de injetarem adrenalina na minha filha e disseram que ela estava com problema de laringite. Tinham muitos médicos, mas nenhum dos que atenderam a minha filha era pediatra”, relata a dona de casa, relembrando, ainda, que as injeções eram alternadas com nebulização.
“Ela estava normal, só cansada e um pouco febril. Ela comeu, andou no corredor do hospital e em nenhum momento foi internada. Foram feitas pelo menos cinco aplicações de adrenalina na minha filha. A última foi feita às 5h do dia 20 de novembro e, logo em seguida, ela passou mal, ficou com a pele esverdeada e tentou chamar por mim, mas não tinha forças”, relembra a mãe.
Desejando entender o que causou a morte da filha, Lucielma denunciou o caso à polícia e, na segunda (27), foi chamada para prestar depoimento. “É tão negligente [o atendimento], os procedimentos são tão avulsos. Em nenhum momento houve acompanhamento de um médico para saber se ela estava reagindo às injeções. Eu só quero que a justiça seja feita”, critica a mãe.
De acordo com nota encaminhada pela Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, será aberto um inquérito administrativo “para que todas e quaisquer eventuais dúvidas sejam esclarecidas”. No texto, a prefeitura esclarece que o “Hospital Infantil é uma unidade de médica complexidade com cerca de quatro mil pacientes atendidos mensalmente” e que “toda assistência foi prestada, inclusive por profissionais bastante experientes e bem treinados”.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito do caso foi instaurado na 40ª delegacia do Cabo de Santo Agostinho e as investigações estão a cargo do delegado Francisco Diógenes. A corporação solicitou um exame tanatoscópico ao Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife, para aprofundar as investigações sobre a morte da menina.
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