Integrante do coletivo Fórum de Mulheres de Pernambuco, Natália Cordeiro conta que a escolha de ir até a comunidade se deu pela preocupação com essas mulheres que, geralmente, estão numa situação mais vulnerável de violência. “Precisamos romper esse ciclo de violência. Temos que mostrar que isso não é normal. Essas mulheres precisam saber que existe uma rede de apoio, precária, mas existe”, disse.
De acordo com uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada hora, 503 mulheres foram vítimas de agressão física no Brasil, em 2016. Isso representa 4,4 milhões de brasileiras (9% do total das maiores de 16 anos). Contabilizando as agressões verbais, o índice de mulheres que se dizem vítimas de algum tipo de agressão no ano passado sobe para 29%.
Em Pernambuco, durante 2016, foram contabilizados 50.042 casos de agressão às mulheres, 1.205 casos a mais que o registrado em 2015. Os dados são da Secretaria de Defesa Social do estado.
As estatísticas continuam alarmantes em 2017. Nos dois primeiros meses deste ano, 58 mulheres foram assassinadas, o que representa 13 homicídios a mais em comparação com os meses de janeiro e fevereiro de 2016.
Natália conta que a ação foi bem recebida na comunidade. A sensação é de dever cumprido. “As mulheres foram até a janela, saíram de casa e conversaram com a gente. Conseguimos dialogar bastante. Em alguns casos, elas diziam que não tinham esse problema, mas pedíamos para colar o adesivo, para se alguém precisasse do apoio”, observou.
O evento
A caminhada teve início por volta das 10h, em frente à Igreja católica do Pina, na Avenida Herculano Bandeira. O ato reuniu os coletivos Juventude do Pina, Ocupação Sítio dos Pescadores, Fórum de Mulheres de Pernambuco, Marcha Mundial de Mulheres, Rede de Mulheres Negras e Marcha das Vadias.
Também participaram integrantes da Secretaria de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores, Secretaria de Mulheres do Partido dos Trabalhadores, Projeto Por Vós, Coletivo de Mães feministas, Mulheres da Livroteca Brincates do Pina e a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas.
A ação, denominada “Basta de Violência Contra a Mulher”, foi acompanhada pelo maracatu Baque Mulher. “Esse é um tema que está tão presente na vida da mulher. Ele tem que ser tratado, porque é preciso que se entenda que essa é a nossa vida, nosso corpo. As moradores pediam para fazermos o ato mais vezes”, comemora Natália.
Como denunciar
No Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods), 520 mulheres têm o telefone cadastrado. Quando elas ligam para o número 190, os atendentes passam a ocorrência para o comando de área e é emitido um alerta vermelho. Por dia, de 100 a 150 mulheres pedem socorro por esse canal de comunicação. No fim de semana, a média aumenta para 200.
As mulheres vítimas de violência também podem fazer denúncias pelo número 180, que é um Disque-denúncia nacional, ou para a ouvidoria da mulher, no número 0800.2818187. Em ambos os casos, o atendimento é 24 horas.
G1PE



