O próximo passo do clube é garantir a permanência do treinador. Abel tem contrato com o Tricolor até o final de 2018 e diz ter a intenção de continuar, mas espera uma conversa com o presidente Pedro Abad para definir seu futuro. Perguntado se poderia garantir ao torcedor que ficará em 2018, ele disse:
Não. Tenho contrato, mas vou sentar e conversar com o presidente. Ele sempre foi muito verdadeiro e sei que não vai faltar com a verdade. Não podemos, no próximo ano, passar os mesmos problemas que passamos esse ano. Não adianta me perguntar sobre isso, porque eu tenho contrato. Minha ideia é ficar. Assinei um contrato de dois anos. Existe uma identidade muito forte. A relação é muito forte.
O treinador também explicou que sua carreira agora é gerenciada pelo filho Fábio Braga, que se aposentou dos gramados aos 25 anos após a morte do irmão mais novo, João Pedro. Abel, inclusive, revelou que Fábio já recebeu uma ligação:
Pelo ocorrido comigo na família (morte do filho mais novo), o Fábio (filho) parou de jogar. Foi criada a empresa 7 Braga Sport. Agora, depois de velho, passo a ter uma pessoa respondendo por mim. Ele não vai responder se eu vou ficar ou não. Quem vai dizer isso é o presidente. Mas sobre o que vem de outros clubes, quem responde é o Fábio. O Fábio já recebeu um telefonema. Quem responde é ele - disse.
Abel não negou o sentimento de alívio após a partida. Com menos pressão, até o sono do comandante será diferente a partir desta noite.
Não posso explicar tudo que se passou. Tenho que comemorar. Talvez venha a ser primeira noite que eu possa dormir bem depois do jogo contra o Coritiba.
No próximo sábado, às 17h, também no Maracanã, o Flu vai enfrentar o Sport, pela penúltima rodada do Brasileirão. Com 46 pontos, o Tricolor não pode mais ser ultrapassado pelas equipes que ocupam a zona de rebaixamento.
Confira outros trechos da coletiva de Abel Braga:
Vaias sofridas
Ontem me mandaram uma enquete sobre quem queria e quem não queria minha presença, e outra sobre quem mais me decepcionou – tinham vários nomes de treinadores e eu era o com menos rejeição. Torcedor tem direito. Torcedor vem aqui e não quer saber se jogador custou caro ou não, se vem de Xerém, se vem do Atibaia. O cara não quer saber isso, o cara quer resultado. Então, ele que julgue. Torcedor aplaudir é legal, porque os jogadores se sentem bem. A palavra-chave sinônimo de torcedor é soberania. Eu sempre disse que tenho essa gratidão ao Fluminense por minha formação como homem. Se assinei contrato de dois anos, é porque eu gostaria de cumprir. Sou o terceiro treinador com mais jogos por esse clube, se eles acharem que isso é importante, tudo bem. Mas não vai ser o torcedor que vai decidir isso. Eles querendo ou não, quem vai decidir meu futuro é o presidente do clube.
Cobranças e vaias da torcida
Entendo perfeitamente o lado do torcedor. Não me julgo capacitado para opinar sobre se a atitude é positiva ou negativa. Torcedor veio ao jogo, nos ajudou a conseguir um bom resultado, mas uma coisa tem que ficar dita muito clara. Todo mundo elogiou muito o time do Fluminense. É claro que na frente teríamos que pagar um preço. Eu sempre disse isso. Eu não sabia onde minha equipe chegaria.
Lesão de Marquinho
Além de tudo o que se passou, essa equipe entrou em campo soando - não é suando, transpirando não. Soando em cada atleta que esteve em campo ou no banco os gritos do Marquinho ontem. Eu nunca tinha visto uma lesão assim, rompimento de ligamento de patela. A rótula subiu para a coxa, o médico botou para o lugar e ele berrando. Completou-se a décima cirurgia. De janeiro a dezembro, é quase uma por mês.
Experiência x juventude
Falou-se muito dos meninos, se falou muito de Xerém, mas você pode ter certeza: se não fossem esses caras cascudos, Cavalieri, Júlio César, Lucas, Henrique, Gum, Renato, Dourado... A coisa não ia não. Não ia. Eles tiveram que abraçar uma causa que é desproporcional.
Nós nos vimos em situações problemáticas. Garoto que vem treinar dois dias no profissional e no próximo jogo está entrando em campo. E esses caras (cascudos) que citei, tem Marquinho e Pierre também, eles falavam “cara, o que você está fazendo está errado”, mas sem dar pau nos meninos. Seria muito superficial falar de tudo que nós vivemos nesse ano. Foi algo que eu gostaria de ter aprendido mais cedo na minha carreira. Eu aprendi demais. A gente quer sempre aprender. Foi tudo feito com muita verdade. Tanto no sofrimento, quanto no bom momento. E a maior verdade deste time são esses caras cascudos.
Promessa para técnico da Ponte
Saiu esse peso de cima de todo mundo. Conversei com o Eduardo (Baptista) após o jogo. Além da relação que eu tenho com a Ponte Preta - vocês sabem que é um time que eu gosto-, prometi a ele que não vamos facilitar em nada. Agora que acabou o risco, seremos o mais digno possível até o último jogo. Tinha a hipótese, tive pensando, havia dito até para alguns jogadores, que se passássemos hoje iria tentar nos dois últimos jogos uma maneira diferente de jogar, pensando em próximo ano. Mas devido à promessa que fiz ao Eduardo, não vamos fazer isso não. Vamos colocar em campo aquilo que temos de melhor.
Filho Fábio gerenciando carreira
Foi criada a empresa 7 Braga Esporte. Pelo ocorrido comigo na família (morte do filho mais novo, João Pedro), o Fábio parou de jogar e abriu uma empresa que leva o nome Braga. E esse nome é feito de retidão, dignidade e caráter. E agora, depois de velho, chegando no fim da carreira, eu passo a ter uma pessoa que vai responder por mim. Ele não vai responder se eu vou ficar ou não, isso quem vai decidir é o presidente. O que ele vai me dizer é como vai ser ou como não vai ser o ano que vem. Em relação a qualquer coisa que venha de algum clube que tenha interesse em mim, quem responde é o Fábio a partir desse momento. Estou muito feliz com ele. Está no RJ, está próximo da família.
Representatividade de Henrique Dourado
O Dourado teve o gol três vezes. Em todas, ele limpou o lance. Eu fiquei desesperado porque a bola não entrou. Como era quando o Dourado pegava a bola no passado? E hoje, como o Fluminense sempre tem que ter, é o maior ídolo. E ele não é só isso. Não representa só isso para nós. Ele representa para nós muito mais do que um simples jogador do clube, titular, artilheiro do campeonato.
Visita de Dourado a Michael
Nós fizemos de tudo, tudo que você possa imaginar pelo Michael. Fiz ele chorar na frente do grupo, para ver se isso mexia com ele. Perder para as drogas? Aquilo mexeu com ele, ficou treinando, ganhou sete quilos. E depois sumiu de vez. E quando ele sumiu, o Dourado levou ele em casa. E mostrou um diário que nem a esposa dele tinha visto. Então não preciso contar o que ele representa para o grupo. Adorado, muito adorado por todos. Sempre disponível. Ele é isso tudo que te falei.
Matheus Alessandro entre os titulares
Vai ter (chance). Assim como o Calazans talvez tivesse, se continuasse na equipe. O Alessandro tem correspondido. É leve, folgado. Quem sabe a gente não comece com ele no sábado. Há essa possibilidade.
No próximo sábado, às 17h, também no Maracanã, o Flu vai enfrentar o Sport, pela penúltima rodada do Brasileirão. Com 46 pontos, o Tricolor não pode mais ser ultrapassado pelas equipes que ocupam a zona de rebaixamento.
Confira outros trechos da coletiva de Abel Braga:
Vaias sofridas
Ontem me mandaram uma enquete sobre quem queria e quem não queria minha presença, e outra sobre quem mais me decepcionou – tinham vários nomes de treinadores e eu era o com menos rejeição. Torcedor tem direito. Torcedor vem aqui e não quer saber se jogador custou caro ou não, se vem de Xerém, se vem do Atibaia. O cara não quer saber isso, o cara quer resultado. Então, ele que julgue. Torcedor aplaudir é legal, porque os jogadores se sentem bem. A palavra-chave sinônimo de torcedor é soberania. Eu sempre disse que tenho essa gratidão ao Fluminense por minha formação como homem. Se assinei contrato de dois anos, é porque eu gostaria de cumprir. Sou o terceiro treinador com mais jogos por esse clube, se eles acharem que isso é importante, tudo bem. Mas não vai ser o torcedor que vai decidir isso. Eles querendo ou não, quem vai decidir meu futuro é o presidente do clube.
Cobranças e vaias da torcida
Entendo perfeitamente o lado do torcedor. Não me julgo capacitado para opinar sobre se a atitude é positiva ou negativa. Torcedor veio ao jogo, nos ajudou a conseguir um bom resultado, mas uma coisa tem que ficar dita muito clara. Todo mundo elogiou muito o time do Fluminense. É claro que na frente teríamos que pagar um preço. Eu sempre disse isso. Eu não sabia onde minha equipe chegaria.
Lesão de Marquinho
Além de tudo o que se passou, essa equipe entrou em campo soando - não é suando, transpirando não. Soando em cada atleta que esteve em campo ou no banco os gritos do Marquinho ontem. Eu nunca tinha visto uma lesão assim, rompimento de ligamento de patela. A rótula subiu para a coxa, o médico botou para o lugar e ele berrando. Completou-se a décima cirurgia. De janeiro a dezembro, é quase uma por mês.
Experiência x juventude
Falou-se muito dos meninos, se falou muito de Xerém, mas você pode ter certeza: se não fossem esses caras cascudos, Cavalieri, Júlio César, Lucas, Henrique, Gum, Renato, Dourado... A coisa não ia não. Não ia. Eles tiveram que abraçar uma causa que é desproporcional.
Nós nos vimos em situações problemáticas. Garoto que vem treinar dois dias no profissional e no próximo jogo está entrando em campo. E esses caras (cascudos) que citei, tem Marquinho e Pierre também, eles falavam “cara, o que você está fazendo está errado”, mas sem dar pau nos meninos. Seria muito superficial falar de tudo que nós vivemos nesse ano. Foi algo que eu gostaria de ter aprendido mais cedo na minha carreira. Eu aprendi demais. A gente quer sempre aprender. Foi tudo feito com muita verdade. Tanto no sofrimento, quanto no bom momento. E a maior verdade deste time são esses caras cascudos.
Promessa para técnico da Ponte
Saiu esse peso de cima de todo mundo. Conversei com o Eduardo (Baptista) após o jogo. Além da relação que eu tenho com a Ponte Preta - vocês sabem que é um time que eu gosto-, prometi a ele que não vamos facilitar em nada. Agora que acabou o risco, seremos o mais digno possível até o último jogo. Tinha a hipótese, tive pensando, havia dito até para alguns jogadores, que se passássemos hoje iria tentar nos dois últimos jogos uma maneira diferente de jogar, pensando em próximo ano. Mas devido à promessa que fiz ao Eduardo, não vamos fazer isso não. Vamos colocar em campo aquilo que temos de melhor.
Filho Fábio gerenciando carreira
Foi criada a empresa 7 Braga Esporte. Pelo ocorrido comigo na família (morte do filho mais novo, João Pedro), o Fábio parou de jogar e abriu uma empresa que leva o nome Braga. E esse nome é feito de retidão, dignidade e caráter. E agora, depois de velho, chegando no fim da carreira, eu passo a ter uma pessoa que vai responder por mim. Ele não vai responder se eu vou ficar ou não, isso quem vai decidir é o presidente. O que ele vai me dizer é como vai ser ou como não vai ser o ano que vem. Em relação a qualquer coisa que venha de algum clube que tenha interesse em mim, quem responde é o Fábio a partir desse momento. Estou muito feliz com ele. Está no RJ, está próximo da família.
Representatividade de Henrique Dourado
O Dourado teve o gol três vezes. Em todas, ele limpou o lance. Eu fiquei desesperado porque a bola não entrou. Como era quando o Dourado pegava a bola no passado? E hoje, como o Fluminense sempre tem que ter, é o maior ídolo. E ele não é só isso. Não representa só isso para nós. Ele representa para nós muito mais do que um simples jogador do clube, titular, artilheiro do campeonato.
Visita de Dourado a Michael
Nós fizemos de tudo, tudo que você possa imaginar pelo Michael. Fiz ele chorar na frente do grupo, para ver se isso mexia com ele. Perder para as drogas? Aquilo mexeu com ele, ficou treinando, ganhou sete quilos. E depois sumiu de vez. E quando ele sumiu, o Dourado levou ele em casa. E mostrou um diário que nem a esposa dele tinha visto. Então não preciso contar o que ele representa para o grupo. Adorado, muito adorado por todos. Sempre disponível. Ele é isso tudo que te falei.
Matheus Alessandro entre os titulares
Vai ter (chance). Assim como o Calazans talvez tivesse, se continuasse na equipe. O Alessandro tem correspondido. É leve, folgado. Quem sabe a gente não comece com ele no sábado. Há essa possibilidade.
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