“A gente não podia deixar esse crime impune. Precisávamos responsabilizar a pessoa que cometeu um ato hediondo desse, uma atrocidade dessa contra uma pessoa indefesa. Ela alegou que não queria ter a criança e que escondeu do marido, porque teria dito que se ela engravidasse de novo ia abandoná-la. Ela, simplesmente, queria se livrar de um ser humano, de um bebê”, pontuou o delegado.
O recém-nascido foi encontrado em uma canaleta por PMs do 12º Batalhão que faziam rondas no local. Segundo as investigações, a criança havia acabado de nascer, com duas horas de vida, quando foi jogada no esgoto. o bebê ficou no local por cerca de uma hora e meia, de acordo com Macedo.
A maternidade foi comprovada por meio de exame de DNA. Durante as investigações, a polícia conseguiu colher depoimentos de testemunhas e imagens de câmeras. A confissão foi feita na sexta-feira (6), durante a ouvida da mulher. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva dela, mas a Justiça ainda não acatou. Se condenada, a mãe pode cumprir de 12 a 30 anos de prisão.
De acordo com a polícia, ela teria se defendido ao alegar que não queria o bebê. Mãe de uma menina de um ano e meio, ela teria escondido a gravidez. Questionado, o pai da criança disse que não sabia da gestação e manifestou interesse em ficar com o filho. Porém, ele será investigado. O bebê segue em uma casa de apoio.
“O que nos deixa surpresos é que isso vai contra a natureza humana, porque os pais protegem os filhos até com a própria vida. Essa é a ordem natural das coisas, mas ela [mãe] deixou seu filho dentro de um esgoto com cerca de 60 centímetros de profundidade. A água do esgoto já estava subindo. Ou seja, se essa criança não fosse encontrada, teria morrido”.
A mãe não teria expressado arrependimento em ter deixado o filho no local, de acordo com o delegado. "Mesmo que ela dissessse que se arrependeu, isso não se sustentaria, porque teve cerca de 40 dias para procurar a polícia. Fica comprovado na investigação a frieza dela, a premeditação do crime. Ela planejou tudo", concluiu.
Entenda o caso
Em agosto, os policiais militares faziam rondas de rotina no bairro do Engenho do Meio quando foram informados de que homens estariam assaltando próximo ao terminal de ônibus do Sítio das Palmeiras. Passando por um beco na comunidade de Roda de Fogo, os PMs ouviram um choro de bebê e seguiram até uma canaleta, de onde vinha o som.
No dia 29 do mesmo mês, após passar por exames e receber cuidados médicos no Hospital Barão de Lucena, na Zona Oeste do Recife, o bebê teve alta. A criança foi levada pelo Conselho Tutelar à casa de acolhimento Lar do Nenen, no dia seguinte.
G1PE



