No livro, Harrop reuniu o que ele havia de mais expressivo registrado nos últimos dez anos, com fotografias de 75 das 92 espécies de aves captadas pelas lentes dele. Todas as aves são nativas da Mata Atlântica nordestina (algumas, inclusive, ameaçadas de extinção), como faz questão de ressaltar.
Foi nos 50 hectares de floresta nativa e açudes, preservados pelo condomínio onde passa os fins de semana, que Harrop fez a maioria das imagens. No quintal dele, agradava as aves com um banquete de banana e mamão. Com olhar atento, fazia questão de percorrer o entorno do condomínio sempre com a câmera no pescoço para nenhum registro passar em branco.
No livro, editado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), cada ave foi detalhada pela sua ordem, família, espécie, nome popular, nome científico, além da descrição dos hábitos alimentares e reprodutivos. Para isso, o sociólogo contou com a ajuda do amigo e membro do Observadores de Aves de Pernambuco (OAP), o ornitólogo Glauco Pereira.
Harrop explica que, mais do que mostrar a beleza das aves que ocorrem em Aldeia, o livro se revela como um importante documento para proteção e conservação desses pássaros. Ao mesmo tempo que preserva a memória fotográfica da avifauna da Mata Atlântica nordestina - grande parte ocorre em Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, estados que integram o Centro de Endemismo Pernambuco. "É preocupante a velocidade com a qual Aldeia está se urbanizando, com a construção de condomínios e clubes. As matas vêm se fragmentando cada vez mais para a fauna", lamenta.
As andanças fizeram o sociólogo se deparar com histórias curiosas e engraçadas como, por exemplo, a de um araçari-miudinho-de-bico-riscado que, numa atitude audaciosa, expulsou um pica-pau do seu ninho e o reformou para abrigar sua "namoradinha" e construir uma família. "Eu o flagrei com o bico sujo de pó de madeira porque estava alargando o buraquinho na árvore para ter conforto. Mas, também fotografei uma cena triste, quando o araçari carrega um de seus filhotes, já morto, pelo bico", relembra, listando outras espécies que compõem a obra, como a saíra-amarela, sabiá-laranjeira, sanhaço-do-coqueiro, ariramba-de-cauda-ruiva e bem-te-vi-peitica.
Pintor-verdadeiro
Apesar de se considerar um verdadeiro amante desses pequenos vertebrados, o sociólogo conta que uma única ave mexe com o coração dele: o pintor-verdadeiro. "Para mim, é o pássaro mais bonito do Brasil. Suas cores são de encher a vista de qualquer um. Ele apareceu para mim em 1990 e, curiosamente, só em 2010 tive a chance de revê- lo", conta Roberto Harrop.
FolhaPE



