Formado por cinco pessoas, o conselho é responsável por decisões estratégicas do comitê, como contratação, pagamento e administração. Nesta reunião, eles vão decidir se a vaga de presidente será ocupada. O órgão tem poderes para operar a entidade sem a figura do presidente. O conselho é formado pela empresária Luiza Trajano, o ex-jogador Bernard Rajzman, Manoel Felix Cintra Neto (ex-presidente da BM&F), José Antônio do Nascimento Brito (ex-presidente do Conselho Editorial do "Jornal do Brasil") e Edson Menezes, ex-presidente do Banco Prosper.
Desde o afastamento formal de Nuzman da entidade no dia 7, Menezes, primeiro-vice, conduz o CoRio. Ele é amigo do cartola. Nuzman foi preso no Rio no dia 5 sob suspeita de ter feito a "ponte" entre o esquema de corrupção do governo Sérgio Cabral (PMDB) e os membros do COI na escolha do Rio em 2009 para receber os Jogos Olímpicos. No dia 11, o ex-presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) renunciou ao cargo, mas não fez o mesmo no comitê organizador. Ele permanece apenas afastado.
A reportagem apurou que Luiza Trajano, 66, é a preferida de parceiros da entidade para liderar o órgão em meio à maior crise da instituição. Mas a presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza resiste ao convite para o cargo de Nuzman. Cintra é a segunda opção. Integrante do COI (Comitê Olímpico Internacional), o ex-jogador da seleção brasileira de vôlei Bernard Rajzman deve se declarar impedido para assumir o posto. Luiza Trajano assumiu o cargo no conselho da Rio-2016 há cinco anos. Foi uma indicação do COB.
Rombo
A dívida com fornecedores é o maior problema do comitê, que conta com pouco mais de 20 funcionários. O órgão não tem nenhuma receita expressiva para receber. Nuzman tentava convencer, sem sucesso, a prefeitura do Rio, o governo carioca, o governo federal e o COI a pagar o rombo. Com o cartola preso, o acerto da dívida ficou ainda mais distante.
Só a GL Events, que forneceu instalações para os Jogos, cobra R$ 52 milhões do comitê organizador na Justiça. O COI já recusou ajudar financeiramente os brasileiros. A entidade internacional também poderia socorrer a Rio-2016 recorrendo à Justiça, mas ainda não fez.
No contrato firmado em 2009 com o comitê organizador, o Comitê Internacional colocou uma cláusula que obriga judicialmente a prefeitura e o governo do Rio e a bancar um possível déficit quando o CoRio for encerrado. Por contrato, o acerto de contas deve ocorrer até 2023. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e o prefeito Marcelo Crivella (PRB) dizem que não tem verba para repassar ao comitê por causa da crise financeira.
Responsável por operar os Jogos, o comitê gastou cerca de US$ 2,8 bilhões (R$ 8,8 bilhões) na realização do evento. Antes de ser preso, Nuzman disse que pretendia captar patrocinadores para quitar a dívida. Ele só não conseguia convencer os executivos das empresas a lucrar com a imagem da Olimpíada após a competição ter sido realizada. Em agosto do ano passado na reta final dos Jogos, a prefeitura do Rio assinou um convênio de R$ 150 milhões para ajudar o comitê na organização da Paralimpíada.
Na época, o então prefeito Eduardo Paes liberou apenas R$ 30 milhões à organização do evento. O restante seria desembolsado conforme a prestação do primeiro repasse fosse feito, o que não ocorreu, segundo Paes. Além da ajuda da prefeitura, o governo federal também socorreu o comitê pouco antes do início da Paralimpíada. Por meio de patrocínios com empresas públicas, a União liberou R$ 73,5 milhões dos R$ 100 milhões que havia prometido.
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