Tropa de choque de Michel Temer cobra fidelidade do PSDB

sexta-feira, setembro 29, 2017
A sexta-feira (29) sem deputados em Brasília acabou aumentando o tempo para que o presidente Temer apresente a defesa na Comissão de Constituição e Justiça. Nesta segunda denúncia, Temer é acusado de organização criminosa e obstrução à justiça.

Plenário vazio: apenas dois deputados marcaram presença. Faltaram 49 para atingir o número mínimo para abertura da sessão. A defesa do presidente Michel Temer, que tem prazo de dez sessões, ganhou mais tempo. Até agora foi realizada apenas uma sessão desde que o Planalto foi notificado.

Enquanto isso, a tropa de choque de Temer ignora a pressão de parte dos tucanos para que Bonifácio de Andrada, escolhido na quinta-feira (28) relator da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça, deixe o cargo. A ala mais jovem do PSDB, comandada pelo líder do partido na Câmara, Ricardo Tripoli, e com o apoio do presidente da sigla, Tasso Jereissati, considera a escolha de Bonifácio de Andrada uma provocação.

"Uma tentativa do governo de criar tumulto no partido, de nos dividir e de provocar realmente essa parte do PSDB que acreditou, eu sei hoje majoritária, que defende a abertura da investigação. Não dá para gente colocar essa investigação para debaixo do tapete”, disse o deputado Daniel Carvalho (PSDB-PE).

Os governistas, por outro lado, cobram fidelidade dos tucanos que tem quatro ministros no governo Temer.

“O PSDB se dividiu na primeira denúncia. Eu tenho esperança que nessa segunda aquela parte que não acompanhou vai nos acompanhar e rejeitar a denúncia. Ainda mais com o Bonifácio de Andrada como relator, que é uma das maiores expressões do PSDB e do parlamento brasileiro”, afirmou o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo.

Sob apelos até do presidente Michel Temer, o deputado Bonifácio de Andrada disse que fica no cargo. Ele, que desqualificou a delação premiada dos ex-executivos da J&F e votou a favor de Temer na primeira denúncia, promete fazer um relatório técnico.

“Técnico dentro do direito constitucional, sobretudo, direito administrativo e tem que levar em conta também o direito penal. É um procedimento que há de obedecer às leis e os princípios magnos do direito em relação a um assunto dessa natureza quando se trata de um processo contra o presidente da República”, disse o relator deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG).

O deputado Rubens Bueno (PPS-PR), da oposição, disse que a escolha atende a um arranjo do PMDB de Temer com o PSDB de Minas, comandado pelo senador Aécio Neves. “Não foi uma boa decisão até porque envolve, como eu disse, o presidente da comissão é de Minas Gerais, o relator é de Minas Gerais, do PMDB e do PSDB. E quem é que está patrocinando? O Palácio do Planalto”, disse.

Temer, nesta sexta-feira (29), voou cedo para longe dos burburinhos de Brasília, mas a segunda denúncia continuou ocupando a maior parte da agenda. Ele chegou a Congonhas e foi para encontros com conselheiros políticos e jurídicos, entre eles o advogado Eduardo Carnelós.

A tarde foi toda de entra e sai na casa do presidente. O ex-advogado de Temer Antonio Mariz de Oliveira, que continua auxiliando o presidente, também foi até lá. No início da noite, Temer foi ao Hospital Sírio-Libanês fazer exames de rotina que já estavam marcados.



G1

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