Miller não vai atender ao pedido dos promotores americanos, por causa dos últimos desdobramentos do caso JBS. O ex-procurador é acusado de ter feito "jogo duplo" e beneficiado a empresa enquanto ainda atuava no MPF. Ele nega as acusações. Marcelo Miller teve sua prisão pedida pela Procuradoria-Geral da República – e negada pelo Supremo Tribunal Federal. Na manhã desta segunda-feira, seu apartamento no Rio foi alvo de uma operação de busca e apreensão.
Outro procurador que atuou na operação de 2015 será enviado aos EUA para depor no julgamento de José Maria Marin. no Tribunal Federal do Brooklyn. A lista de testemunhas convocadas a depor está sob sigilo. Na semana passada, o governo dos EUA afirmou que houve "intimidação de testemunhas" e "tentativas de obstrução de justiça".
O ex-presidente da CBF (2012-2015) foi preso em Zurique, em maio de 2015, numa ação conjunta das polícias de EUA e Suíça. Ele e dezenas de outros cartolas são acusados de receber milhões de dólares em propina para beneficiar empresas de marketing esportivo. O caso corre nos EUA porque o esquema envolveu bancos e empresas americanas.
Desde novembro de 2015 Marin aguarda seu julgamento em prisão domiciliar em Nova York – o cartola é dono de um apartamento na Trump Tower, em Manhattan, desde 1989. José Maria Marin afirma ser inocente, motivo pelo qual não colabora com as autoridades americanas e decidiu enfrentar o julgamento.
Além de Marin, serão julgados o ex-presidente da Conmebol Juan Angel Napout, e o ex-presidente da federação peruana Manuel Burga. Os três são os únicos réus do caso que estão em solo americano e não confessaram os crimes dos quais são acusados.
O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira também foram indiciados, mas como estão no Brasil – que não extradita seus cidadãos – não serão julgados nos EUA. Em documento de julho deste ano, os promotores americanos prometem apresentar provas de Teixeira, Marin e Del Nero "receberam propina".
Via assessoria da CBF, Marco Polo Del Nero "reitera o que tem afirmado de que não existe e nem existirá qualquer prova que o incrimine" e diz que "a matéria noticiada é conhecida desde 2015, sem qualquer novidade desde lá". A defesa de Ricardo Teixeira afirma que só vai se manifestar depois de ser comunicada formalmente a respeito do processo.
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