Cardozo, que foi depor em favor de Palocci em março deste ano, avaliou que o correligionário, hoje preso e delator, é "um homem de uma inteligência e uma capacidade de articulação como poucas vezes vi". "E inclusive com uma qualidade na política que é saber controlar suas emoções para agir com frieza e atingir os objetivos a que se destina", disse em entrevista à Rádio Folha FM 96,7.
"Eu sempre tive uma excelente relação com o Palocci. Nos aproximamos bastante na campanha de 2010. Eu, ele e José Eduardo Dutra éramos conhecidos como os três porquinhos, porque eu estava bem mais gorducho do que eu estou hoje, tinha 21 quilos a mais. E então, naquele momento nós vivíamos o cotidiano. E eu sempre tive uma excelente relação pessoal com o Palocci. Acho o Palocci um homem inteligentíssimo", analisou, ao ser indagado sobre a relação entre eles.
Questionado, então, se ele poderia ser considerado um "simulador", Cardozo foi enfático: "Eu diria o seguinte: ele é uma pessoa que sabe calcular os fins e os meios na sua ação".
O ex-ministro da Justiça, no entanto, diferenciou Antonio Palocci do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cardozo disse ter uma inimizade com o peemedebista desde a época de parlamentar, apesar de reconhecer a capacidade de estrategista do opositor. "Reconheço que o Eduardo Cunha era um homem inteligente, um homem frio, determinado e muito trabalhador. Agora, do ponto de vista ético, francamente...", disse.
Mas ele afirmou ver diferenças entre os dois: "É um pouco diferente. Eu diria que Palocci é um homem mais habilidoso no trato do que o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha é mais trator. Então, Palocci, eu tentando entender a situação como está hoje. A pessoa que está presa, o que é que ela quer? Sair. E se ele optou por sair, por tentar sair, através de uma delação, ele tem objetivos determinados e, claro, como qualquer delator, ele fala o que qualquer investigador quer ouvir, se não o investigador não aceita a delação. Então, fazendo esta análise, ele determinado como é, construiu certas situações para poder sair", afirmou.
José Eduardo Cardozo ainda mencionou um fato citado por Antonio Palocci em sua delação que, segundo o ex-ministro, não procede. A informação diz respeito a um pedido feito para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) pela Odebrecht no caso de uma cláusula de aeroportos. Para Cardozo, a revelação "não tem pé nem cabeça".
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