Breno tem histórias que poderiam render um livro. Morador de uma periferia no Ceará, ele conviveu de perto na infância com o crime. Já traficou, andou armado e foi detido pela polícia. No corpo, além das tatuagens, guarda marcas do passado violento - até tiro de borracha levou. Ex-membro da torcida uniformizada Leões da TUF, do Fortaleza, tinha como “passatempo” se envolver em brigas. “O resultado do jogo para mim nem importava. Só queria confusão. Mas vi amigos próximos morrerem e não aconselho ninguém a fazer isso”, citou. Esse ponto da vida do defensor não é segredo. Mas ele não quer ser taxado apenas por seu lado pregresso.
As experiências do passado fizeram o zagueiro ter “cara de poucos amigos”. “É bom porque os atacantes têm medo. Quando a gente jogou contra o Juventude, os caras lá disseram que o técnico (Gilmar Dal Pozzo) falou de mim na preleção. Disse para ter cuidado porque eu chegava forte. Faço isso mesmo, é meu jeito de intimidar. Vou aliviar?”, contou.
Breno já protagonizou cenas que parecem tiradas de páginas antigas do noticiário esportivo, como quando chamou um cinegrafista para rebater uma declaração de uma jornalista. “Fiquei ‘bolado’ quando soube que uma mulher falou que a gente merecia cair. Pensei: ‘se a gente ganhar (do ABC), eu vou falar. Aí vi a câmera e disse que ‘merecer cair é o c***”.
O lado sério vem de família. “Meu pai é meu maior incentivador, mas também é louco. Não é sentimental. A gente nem dá abraço direito, é mais relação de amigo. Toma uma junto e tal. Levo esporro dele direto, mas não posso revidar (risos)".
O zagueiro também gosta de manter um contato próximo com os alvirrubros. “Tem cara que acha que, por ser jogador, não pode ter relação com torcida. Não tenho isso. Um torcedor já foi até na minha casa uma vez para eu autografar uma camisa. Por onde ando todos me param e falam comigo. Chato são uns malucos do Sport que ficam me mandando mensagem, zoando, mas eu respondo também na brincadeira”, contou.
Tido como “louco” por alguns, as inspirações de Breno não podiam ser outras. “Não sou fã dos zagueiros de agora. Gostava muito do Júnior Baiano e do Odvan. Meu jeito é mais parecido com o deles”. Na perna, ele ostenta uma tatuagem idêntica a do italiano De Rossi, com a imagem de um carrinho na perna do adversário. “Um amigo mandou o desenho e eu gostei. Nem sabia que era dele. Esse cara também gostar de chegar forte, né?”.
Dúvida
Após sentir um desconforto no último domingo, Breno não participou do treino da última segunda (04) e virou dúvida para o jogo da próxima quarta-feira (06), contra o Brasil de Pelotas, na Arena de Pernambuco.
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