Barreiras para pessoas com deficiência no metrô são discutidas por frente parlamentar

sábado, setembro 09, 2017
Desníveis na entrada do trem, elevadores e escadas rolantes quebrados, falta de piso tátil e erros nos avisos sonoros das estações. Pessoas com deficiência apresentaram esses e outros problemas no transporte sobre trilhos da Região Metropolitana do Recife, durante a reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência na última quarta (6). O superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) no Recife, Leonardo Vilar Beltrão, prometeu considerar essas demandas na operação e nos futuros investimentos no transporte metroviário pernambucano.

“Na estação de VLT do Cabo um dos elevadores estava quebrado e tive que descer com a cadeira de rodas na escada rolante, com um vigilante tendo que me segurar nos degraus”, contou Felipe Gervasio, cadeirante que é presidente da ONG Deficiente Eficiente. “Isso é um constrangimento para nós, pois queremos ir e vir sem ter a dependência de outras pessoas”, considera Gervasio. Ele também pediu que fosse garantida a exclusividade de pessoas deficientes no uso de elevadores das estações. “A utilização indevida dos elevadores acaba gerando quebras e gastos de manutenção”, relatou.

Já os deficientes visuais informaram sobre acidentes graves causados pela falta de sinalização. “A faixa amarela na borda das plataformas é de difícil detecção, o que já fez com que cegos caíssem na vala das estações”, contou Antônio Muniz Silva, representante do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência do Recife. José Diniz, da Associação Pernambucana de Cegos, também apontou a falta de piso tátil para direcionamento dos deficientes visuais. “Apenas duas estações têm esse piso com direcionamento, o que deveria ser expandido para todo o sistema para dar mais autonomia aos cegos”. “Além disso, muitas vezes o sistema de som do trem não anuncia a estação correta. Isso já me fez descer na estação errada diversas vezes”, indicou Diniz.

O superintendente da CBTU no Recife falou do impacto da crise financeira na operação do metrô. “Em 2016 havia a ameaça do sistema parar de funcionar em julho por falta de dinheiro para o custeio. Conseguimos relocar R$ 62 milhões para reestruturar a infraestrutura e a manutenção, o que permitiu colocar mais trens rodando e incluiu itens de acessibilidade”, contou Leonardo Beltrão. “Muitos problemas ocorrem porque a maior parte das estações foi projetada na década de 80, quando não havia ainda uma legislação de acessibilidade”, explicou.

“Hoje temos 94% dos elevadores e 68% das escadas rolantes funcionando. Com o que escutei hoje, vamos priorizar também a instalação de piso tátil”, anunciou Beltrão. Segundo ele, a correção dos erros no sistema de som deve exigir apenas mais atenção dos operadores. Já os desníveis entre o trem e a plataforma, outra questão apontada pelas entidades presentes, dependem do conserto de equipamentos que estão paralisados. “Temos uma previsão de receber R$ 90 milhões até o ano que vem, o que deve incluir o conserto desses equipamentos de manutenção”, revelou.

O gestor também informou que um novo elevador será instalado na estação de Joana Bezerra, para atender o público que frequenta a sede da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Além disso, os espaços nos trens reservados para mulheres (chamados de “vagão rosa”) serão reformulados para que sejam adaptados também às pessoas com deficiência de qualquer gênero. “Essa é uma grande notícia, já que cadeirantes e cegos têm dificuldade até para entrar nos trens e, com certeza, serão muito bem tratados pelas mulheres”, avaliou a coordenadora da Frente Parlamentar, deputada Terezinha Nunes (PSDB).

O promotor de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Westei Conde, comunicou que a implantação de um cronograma de ações de acessibilidade da CBTU será discutido em audiência do Ministério Público Estadual no dia 6 de outubro. Além disso, ele defendeu que a sede da empresa federal seja transferida para o Recife, onde a estatal tem hoje a maior operação no País. “Estamos fazendo a nossa parte ao fazer a cobrança jurídica do atendimento prestado pela CBTU, mas a nossa avaliação é que os problemas da empresa exigem uma mobilização política”, frisou.

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