"Resolvemos caminhar para ver se o governo enxerga esse absurdo. Nascemos e fomos criados nessa rua [onde aconteceu a tragédia]. As crianças não têm mais o direito de brincar, têm que ficar dentro de casa por causa dos bandidos", lamentou a avó de Sthefanny, Elisângela Maria da Silva.
Com cartazes pedindo paz e justiça, eles caminharam pela BR-101, o que deixou o trânsito bastante complicado na rodovia. O grupo carregava fotos da menina e parte dele estampava o rosto da criança em camisas. O corpo chegou no cemitério por volta das 11h30. O enterro aconteceu às 12h e contou com a presença de muitas crianças.
“Nós vamos correr atrás de justiça. Uma menina de dois anos levou um tiro fatal por conta da polícia, que subiu no morro atirando. Isso não vai ficar impune. Nós vamos correr atrás para pôr o culpado na cadeia”, disse o empresário e amigo da família Ronaldo Severo.
Ainda na sexta-feira, três suspeitos de envolvimento no tiroteio com a Polícia Militar foram presos. Com o trio, a polícia apreendeu duas armas de fogo, sendo um calibre 38 e outra calibre 32, 28 munições e um quilo de maconha prensada em barra, além de 28 papelotes da droga.
De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS), o tiroteio que vitimou a criança ocorreu na tarde da sexta, quando policiais militares do 19º Batalhão da Polícia Militar estavam no bairro do Ibura, cumprindo um mandado de prisão.
“Ao visualizar quatro homens em atitude suspeita e dar ordem parada, dois fugiram e atiraram contra o policiamento, atingindo uma criança de dois anos”, diz a nota da SDS. A criança foi socorrida pelos policiais para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Lagoa Encantada, mas ela não resistiu e morreu no local.
Exibindo um cartaz pedindo paz, a estudante e amiga da família Ana Luciele Araújo questiona a ação da polícia. "O coração está muito apertado. Ela só tinha dois aninhos. Estão colocando policiais despreparados para trabalhar. A gente é pobre, a gente mora em favela. A gente sente a violência como eu sei que a alta sociedade também está sentindo. Estamos sentindo dor, machuca".
Familiares e amigos também realizaram um protesto na tarde da sexta. Eles interditaram o quilômetro 78 da BR-101 e queimaram entulhos e pneus. O bloqueio teve início por volta das 14h40. O local foi liberado depois das 17h, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Investigação
Os primeiros procedimentos no local do crime foram feitos pelo delegado Paulo Furtado, que estava de plantão na Força-tarefa de Combate a Homicídios no momento da ocorrência. Segundo a SDS, as armas dos policiais também foram apreendidas para realização de exames periciais. E o corpo da criança foi submetido aos exames periciais e liberado, pelo Instituto de Medicina Legal (IML), para a família.
Agora, a investigação fica a cargo do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, sob a responsabilidade do delegado Francisco Océlio.
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