Padilha disse que a reforma tributária não terá a amplitude com que "alguns sonham". "Nós poderemos fazer uma simplificação tributária. Ainda é possível fazer."
Como se trata de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), a reforma da Previdência precisa de voto de 308 dos 513 deputados para ser aprovada, número que o Governo não havia alcançado nem mesmo antes da crise política provocada pelas delações da JBS.
Segundo o ministro, a ideia do Planalto é conseguir aprová-la na Câmara e no Senado até o fim de outubro. Reportagem do jornal "Folha de S.Paulo" da semana passada mostrou que membros de partidos da base aliada de Temer defendem que a votação da nova Previdência fique para 2019. A ideia ecoa em partidos que somam 173 deputados.
Padilha disse que o Governo trabalha para atingir o mesmo patamar de votos que acreditava ter antes de 17 de maio, quando foram divulgadas as gravações da JBS.
Aliados de Temer estimavam que, naquela época, a ideia tinha entre 260 e 270 votos. "Nós temos que conviver com a realidade e a realidade nos impôs uma suspensão temporária no processo da reforma da Previdência. Agora, a decisão do Governo, capitaneado pelo presidente Michel Temer, é de nós retomarmos a reforma da Previdência para chegarmos no patamar do dia 17 de maio", afirmou.
Na entrevista, Padilha disse não haver discussão para se revisar a meta fiscal do Governo, hoje de R$ 139 bilhões. Segundo a colunista do jornal "Folha de S.Paulo" Mônica Bergamo, parlamentares já se articulam para apresentar projeto de lei aumentando o rombo em R$ 30 bilhões.
"O ministro Meirelles [Henrique Meirelles, Fazenda], que é o condutor da política econômica do Governo, ele tem, sempre com antecedência, trazido o tema à discussão com o presidente. Este tema, por enquanto, não foi debatido pelo ministro Meirelles", disse. Padilha negou haver atualmente dissonância entre as equipes política e econômica do governo e disse que, apesar de o Planalto não ter candidato à Presidência da República para 2018, Meirelles é um nome "bem recebido pela sociedade brasileira".
Na última segunda (31), o ministro Henrique Meirelles afirmou que a meta fiscal está mantida "no momento", mas reconheceu que o assunto está em análise pela equipe econômica.
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